O começo do fim dos livros de papel

Que os livros de papel estão com os dias contados isso é dado. Sempre haverá um nostálgico aqui e ali que ainda vai ter pilhas deles, “saboreando” sua textura, a coloração da tinta nas pontas dos dedos, o seu cheiro de mofo e as alergias que o acumulo de ácaro e poeira trazem.

Mas assim que todos tiverem acesso a um tablet e um scanner de página dupla, será natural, como é pra mim, cortar seu velho livro, scannear e trocar aquele peso morto por um arquivo na nuvem.

Falando nisso, o próprio .pdf (como se encontra) está com os dias contados. É proprietário e rígido demais. Minhas apostas são, do lado proprietário, sempre ela com seu modelo verticalizado e eficiente, Apple com iBook Author exportando para um formato fechado e do lado aberto, com o Android e derivados (o que inclui os Kindle, Nook e similares) o HTML5 combinado com o ePub3, mas não sei se essa solução vai ter tanto suporte das editoras e desenvolvedores.

De qualquer forma, fica a dica para o MEC, ao invés de comprar milhões de computadores e livros pela FNDE e o PNLD (e por tabela cofinanciar essa mídia decadente e golpista), é melhor apostar logo em tablets e nos livros digitais que já começaram a fazer um grande estrago nessa multibilionária industria.

Para os saudosistas, sempre haverá um uso pra um velho livro de papel, como o da foto acima, ou em último caso, de peso para porta.

Sem lágrimas, por favor. Pra mim, já vão tarde.

O cerco ao Irã

Os ventos do oriente tem odor de pólvora. Está em todos os jornais: “O Irã ameaça fechar o estreito de Ormuz“. Ahmadinejad (e os Aiatolás, não se esqueçam) querem destruir a (cambaleante) economia global atrapalhando o fluxo do petróleo em um dos seus pontos nevrálgicos. Certo?

De certa maneira, me importa menos o que ocorre no Oriente Médio, e mais o como o Brasil se posiciona do ponto de vista estratégico. Antigamente, achava que o OM iria se autodestruir por questões religiosas. Hoje, tenho certeza que um dia eles vão se destruir, mas só porque lá é muito quente e tem pouca água. E tem muito petróleo, mas isso é detalhe.

Bem, isso, é o que a nossa (decrépita) mídia tenta passar. O que me incomoda no momento é como nossa mídia é incapaz de informar. Até onde sei, enquanto acreditamos que os iranianos são os vilões e querem uma bomba nuclear pra fazer um buraco aonde fica Israel, os chineses (esses sim, tem uma agenda medida em séculos e não décadas, como os americanos, ou carnavais, como os brasileiros) nadam de braçada com uma diplomacia inovadora e agressiva. Até aonde vão? Façam suas apostas.

Não se vê uma única linha dizendo que o que as potências ocidentais querem é o petróleo. É sabido desde o principio que os EUA não aceitariam um desbalanceamento de forças na região. Logo agora, enquanto ainda somos tão dependentes de combustíveis fosseis quanto um viciado é por cocaína. Não enquanto existe a possibilidade das reservas de petróleo terem atingido o seu pico.

O programa nuclear iraniano não seria a desculpa ideal pra resolver de vez o problema? Depois do Iraque e Afeganistão (e Palestina), as potenciais ocidentais vão fazer com o Irã o que todo Império faz quando um inimigo ousa desafiá-los: subjugar, conquistar e dominar.

Mas, obviamente, até os grãos de areia fumegantes do deserto de Dasht-e-Lut sabem que o Irã não é o Iraque. Não é só isolar, esperar alguns anos e invadir. Então, no manual “Guerra para Iniciantes”, o segundo capítulo é: “Como cercar o seu inimigo e enfraquecer suas defesas.

Basta lembrar dos romanos, ou se não quisermos ir tão longe na história, lembrar que a guerra no Iraque só foi (tão) fácil por que após anos de bloqueio os tanques e aviões do Saddam estavam sucateados. Hoje a única coisa que mudou é o tipo de cerco é econômico-financeiro.

A única diferença é que o Irã não vai esperar isso acontecer passivamente. Vão provocar enquanto podem causar algum estrago (ver infográfico). Então, logicamente, haverá guerra. As provocações em Ormuz, são só o começo. E até aonde vi (e o Lula e o Celsão também) não haverá concessão (minimamente soberana) que será aceita pelas grandes potências. Pelo caminhar da carruagem, inevitavelmente haverá guerra.

Não é uma questão de ser a favor ou contra iranianos, americanos ou judeus. Não é sobre acreditar, como tolos e misses acéfalas, na Paz Mundial. O que me tira o sono, é que o Brasil, esse gigante adormecido, a potência que ainda não foi, não estar discutindo estratégias.

Quando digo estratégia, isso significa uma visão que pense na nossa capacidade de construir estradas, de fazer aviões e navios, de conseguir produzir, armazenar e distribuir etanol em grande escala, de tirar mais petróleo do pré-sal mais rapidamente, enfim, de inovar em todos setores. Você deve fazer isso em situação normal, mas você terá que fazer isso num momento de turbulência geopolítica como o que se aproxima.

Não falo de ilusões, nem de subitamente sermos capazes de decidir uma guerra do outro lado do mundo. Só gostaria de ser mais otimista com a possibilidade de estarmos preparados para nos posicionarmos melhor após um conflito dessa magnitude. Afinal, não no pós-guerra que nascem as novas potências?