Mais homens que não amavam as mulheres

Mais da metade das vitimas de estupro são menores de 14 anos

Um grupo de “amigos” se reúnem. Compram cerveja e carne. Chamam outros “homens” e, pra completar vizinhas e colegas do trabalho. Dez homens e sete mulheres. No meio da festa, dois deles simulam um assalto e estupram coletivamente as mulheres. Seria o “presente de aniversário”. Duas delas reconhecem os mascarados. Eles decidem assassiná-las.

Parece a trama de um filme macabro, mas não é. Isso explica bem porque abandonei por um tempo a ficção para (tentar) entender a realidade. Hoje a melhor ficção não se compara à realidade.

Mas não fosse o reconhecimento e o assassinato esse crime sequer teria saído daquela pequena cidade da Paraíba. Seria fácil enquadrá-los como psicopatas, mas seria só isso? Começo a acreditar num certo tipo de condescendência dos demais homens enquanto esse tipo de comportamento ainda não aflora nos mais jovens.

Já passei por diversas situações em que conversas “tortas” (mas nunca sequer parecidas com esse evento) surgem. Nesse momento imagino outros homens argumentando que as “mulheres não eram santas”, esse tipo de pensamento que eventualmente temos que ouvir numa mesa de bar. Eu sinceramente me cansei de ouvir essas imbecilidades. Aguentar calado um idiota que acabei de conhecer por intermédio de um outro conhecido falando merda sobre sexo com adolescentes na minha frente. Expondo sinais de sua pedofilia enrustida.

Se as garotas não tivessem sido mortas nesse crime, eles seriam investigados e julgados por homens com uma visão de mundo no mínimo que atenua crimes como esses. Por isso é importante o avanço das mulheres sobre cargos como delegadas, promotoras e juízas. Esse viés machista das sociedade só mudará a força. E só depende das mulheres.

De qualquer forma, eles só não escaparão no presidio aonde a lei da selva impera, e pais presos com filhas aqui fora, sabem que é preciso um “sinal”. Presos, serão a puta do pavilhão, apanharão todo dia e sofrerão o mesmo tipo de abuso que provocaram, o que já será alguma coisa em termos de “justiça”.

Apesar disso não alterar em nada a tragédia que ocorreu com essas mulheres.

Estupro coletivo foi um presente de aniversário…

Estupro coletivo foi um presente de aniversário…
Posted on 14/02/2012 by Marconi

DANIEL MOTTA

Campina Grande – Uma reviravolta ocorreu no crime que chocou a cidade de Queimadas e causou ainda mais revolta nos moradores do município, localizado no Agreste paraibano (a 130 Km de João Pessoa). A polícia da Paraíba revelou, durante uma coletiva no final da manhã de ontem, que a invasão à casa e o estupro coletivo de mulheres durante uma festa foi uma “armação”. O crime foi planejado como “presente” para o aniversariante, o proprietário da casa Luciano Santos Pereira.

A delegada Cassandra Duarte revelou que todos os homens da festa sabiam do plano e que haveria os estupros em série. Os alvos principais eram duas irmãs que estavam na festa. O plano foi planejado e executado por Luciano e o irmão dele, Eduardo Pereira dos Santos, 28 anos. A dupla reuniu mais oito amigos e executaram a noite de horror, entre os convidados. Em um determinado momento da festa, parte do grupo, usando máscaras de Carnaval, simulou a invasão à casa e os estupros. As vítimas sobreviventes contaram que na hora do abuso sexual, os acusado riam do desespero e do sofrimento delas. Sete mulheres foram estupradas, das quais duas acabaram sendo mortas.

De acordo com a polícia paraibana, os irmãos só não teriam planejado as mortes da professora Isabela Pajussara Frazão Monteiro, 28 anos, e da recepcionista Michele Domingos Silva, 26. Elas foram executadas porque reconheceram Eduardo na hora em que eram estupradas. Toda a ação criminosa contou com a participação de 10 homens, dos quais três são adolescentes. Nove deles foram detidos ainda no domingo e o outro no final da manhã de ontem.

Segundo o superintendente da 2ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Campina Grande, André Rabello, o crime foi planejado pelos irmãos durante a manhã do último sábado. Luciano pediu ao irmão que ele realizasse a festa e atraísse as ex-cunhadas dele, que seriam estupradas durante a festa, uma delas, Isabela.

Homens sabiam

O delegado informou que eles compraram, em um supermercado local, os materiais para amordaçar e amarrar as vítimas e, depois, entregaram para três adolescentes que faziam parte do bando. “Após isso, eles deram continuidade ao plano, convidando as vítimas para a festa, que aconteceu durante a noite. Além das mulheres, outras 15 pessoas participaram da festa. Todos os homens que estavam no local sabiam do plano e iriam estuprar as outras. Eles só não estupraram todas que estavam na casa porque foram reconhecidos e decidiram executar as duas moças”, contou a delegada de homicídios, Cassandra Duarte.

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Fexter

Sol. Glorioso sol. Cheio, gordo, alaranjado, a manhã clara como a noite, a luz da manhã inundando toda terra e trazendo tristeza, tristeza, tristeza. Trazendo junto o chamado da manhã no cerrado goiano, a voz macia e selvagem do vento uivando através dos pelos do seu braço, o lamento vazio das luzes das estrelas, o ranger dos dentes do luar sobre a água.

Tudo isso chamando a Necessidade. Oh, o grito agudo da sinfonia das milhares de vozes ocultas, o choro da Necessidade, a entidade, o observador silencioso, a coisa fria e quieta, o dançarino das estrelas. O eu que não era eu, a coisa que zombava e ria e vinha com sua fome. Com a Necessidade. E a Necessidade agora era muito forte, muito cuidadosa gelada arrastada rachada ereta e pronta, muito forte, bem pronta agora — e ainda ela esperava e observava, e me fazia esperar e observar.

Eu não sei como ela surgiu em mim. Sabia que havia sido no fim a juventude e no começo da vida adulta. Comecei a dirigi desde muito cedo. Antes de todos os meus amigos da mesma idade. Treze anos a primeira caminhonete numa estrada de chão. Logo depois um caminhão leve. Depois um caminhão pesado. Um trator de esteira e até uma carregadeira, e enfim, uma carreta. Só depois desses peguei um carro pequeno. Antes de ter carteira, já podia dirigir, levar irmãs e mãe para os lugares. A virtude e a maldição de ser filho de um caminhoneiro. Você passa a vida contando histórias para seus amigos, sob a inveja daqueles cujos pais trabalham em escritório.

Como um cavalo selvagem que é aprisionado de um dia pro outro, sob o trânsito engarrafado, a Fúria vai surgindo e se acumulando lá dentro. Você não percebe. Silenciosa e lenta, a Fúria. Você se transforma. E ai num relance você se olha no espelho retrovisor e não se reconhece mais. Dr. Jackyll and Mr. Hide. O mostro surge e toma conta. Agora você é o Pateta naquele desenho antigo. Só falta o carimbo.

Ou o GTA da vida real. Velhinhas, 10 pts. Motoboy, 30 pts. Taxista, 50 pts. Um reality show sangrento, e como todos outros, nada engraçado. Bônus e Combos, na selva que é o trânsito das grandes cidades, é matar ou morrer. Hienas, guepardos e rinocerontes, todos demarcando o seu território. Todos lutando por alimento ($$$). Nessa luta sangrenta, perdi a conta das vezes que segui enfurecido playboy bombado (mas covarde) que me fechou. Quantas vezes xinguei o taxista babaca que pretendia entrar na minha frente. Quantas vezes ofendi a mãe da madame folgada que parou na fila dupla. E, quantas vezes o velho armado falou para eu ficar mais calmo, senão amanhã não veria a luz do sol novamente. Tudo tem um limite, eu penso depois.

Você não está preso no trânsito. Você é o trânsito.

Apesar dos fatores genético e/ou psicológicos, o ambiente, como sempre, é fundamental para explicar esse comportamento psicótico. Vivo numa cidade (Goiânia) que tem uma das maiores taxas de automóveis e motos por habitante. Aonde madames mimadas andam de SUV para ir ao supermercado da quadra ao lado comprar pão. Aonde baixinhos com complexo de inferioridade (por não terem crescido ou por terem “aquilo” pequeno?) precisam andar de caminhonete cabine dupla e 6 mts de comprimento para ir ao banco. Mas isso não é problema de uma cidade. Nesse caso particular é só uma cidade pequena que agora cresce como se tivesse um câncer se espalhando. O trânsito é ruim em todas as cidades do mundo.

Eu quero ver o meus filhos crescerem. Percebi que grande parte do meu stress não vem do trabalho, ou das dificuldades da paternidade, ou das eternas contas a pagar. Vem do trânsito. Por isso, a partir desse ano, decidi não dirigir (exceto se for estritamente necessário). Vou de ônibus (e é uma pena que os políticos subestimem tanto o potencial (eleitoral) do transporte público), irei de bicicleta (aonde a interação homem-máquina é verdadeira e real), ou se for preciso, vou à pé.

Afinal, preciso aprender a controlar o passageiro sombrio que habita em mim, pois um dia, ele toma conta, e a manhã pode ser A manhã.

Os homens que não amavam as mulheres

#Leião

Uma procuradora, bem sucedida, com dois filhos é brutalmente assassinada no seu condomínio de luxo na região metropolitana de Belo Horizonte. Já havia denunciado o ex-marido, um mauricinho perturbado, provavelmente mimado, bajulado, como todo homem de classe média. E mesmo como todo o conhecimento da lei e seguindo todos os procedimentos cabíveis na moderníssima e, excessivamente endeusada, Lei Maria da Penha, não consegue proteção. Se uma procuradora federal não consegue proteção contra a violência e ameaça, o que resta às mulheres pobres do Brasil?

A companheira suspeita que a filha, de 11 anos, está sendo abusada pelo padastro. Monta um armadilha antes de sair para o serviço, e deixa o celular dentro de uma caixa de papelão filmando tudo. Prova material de um crime. Trabalho de polícia. Com, medo pega a filha e foge para uma pequena cidade na região de Goiânia, não antes de fazer e distribuir várias cópias dos atos do padastro. O brilhante delegado, para toda a imprensa, afirma que não vai informar a localização “exata” delas, exceto que elas estão em Guapó, uma cidadezinha de 10mil habitantes na Grande Goiânia. Genial.

Uma mãe vê a filha de 12 anos sendo aliciada pelos barões do trafico num bairro pobre do Rio de Janeiro. Será mula, será escrava sexual de traficante em breve. Para tentar impedir, desesperada, bate na filha, que a denúncia ao conselho tutelar e à polícia. Com a nova Lei das Palmadas, ela vai ser indiciada, responder em juízo, provavelmente faltará ao serviço várias vezes e assim perderá o emprego. Sozinha, pois o bravo companheiro a abandonou na primeira oportunidade, não sabe o que vai ser dos seus outros 3 filhos pequenos. Deputados e deputadas em Brasília espumam ao proclamar a modernidade legislativa brasileira, conseguida assim, por decreto.

Um jovem enlouquecido de ciúmes e insegurança, invade um prédio, faz refém a ex-namorada e a amiga, mas homem que é, libera os outros dois rapazes. Seu problema é com as mulheres, não com os rapazes. Bravo. Depois de intermináveis horas de cativeiro, liberta a amiga. Os geniais policiais, todos homens, todos especialistas, todos corajosos (com uma arma na cintura), fazem com que a amiga volte ao paiol de pólvora com um fosforo aceso. Mais algumas horas depois, após ouvir “um barulho de tiro” (que pode ser o tapa na mesa de um Governador encastelado pelo desgaste político crescente com a situação que sua própria incompetência criou) a “tropa de elite” invade de maneira atabalhoada o apartamento. A ex-namorada morre, a amiga toma um tiro no rosto. Mas o jovem, sai ileso. E agora, três anos depois aguarda o julgamento. Terá que ser protegido na prisão. Cela especial, única.

Entre a ficção e a realidade, no Brasil, o país aonde não há machismo nem preconceito, não é um lugar perigoso para se viver.

Bem, exceto se você for mulher.