Um grupo de “amigos” se reúnem. Compram cerveja e carne. Chamam outros “homens” e, pra completar vizinhas e colegas do trabalho. Dez homens e sete mulheres. No meio da festa, dois deles simulam um assalto e estupram coletivamente as mulheres. Seria o “presente de aniversário”. Duas delas reconhecem os mascarados. Eles decidem assassiná-las.
Parece a trama de um filme macabro, mas não é. Isso explica bem porque abandonei por um tempo a ficção para (tentar) entender a realidade. Hoje a melhor ficção não se compara à realidade.
Mas não fosse o reconhecimento e o assassinato esse crime sequer teria saído daquela pequena cidade da Paraíba. Seria fácil enquadrá-los como psicopatas, mas seria só isso? Começo a acreditar num certo tipo de condescendência dos demais homens enquanto esse tipo de comportamento ainda não aflora nos mais jovens.
Já passei por diversas situações em que conversas “tortas” (mas nunca sequer parecidas com esse evento) surgem. Nesse momento imagino outros homens argumentando que as “mulheres não eram santas”, esse tipo de pensamento que eventualmente temos que ouvir numa mesa de bar. Eu sinceramente me cansei de ouvir essas imbecilidades. Aguentar calado um idiota que acabei de conhecer por intermédio de um outro conhecido falando merda sobre sexo com adolescentes na minha frente. Expondo sinais de sua pedofilia enrustida.
Se as garotas não tivessem sido mortas nesse crime, eles seriam investigados e julgados por homens com uma visão de mundo no mínimo que atenua crimes como esses. Por isso é importante o avanço das mulheres sobre cargos como delegadas, promotoras e juízas. Esse viés machista das sociedade só mudará a força. E só depende das mulheres.
De qualquer forma, eles só não escaparão no presidio aonde a lei da selva impera, e pais presos com filhas aqui fora, sabem que é preciso um “sinal”. Presos, serão a puta do pavilhão, apanharão todo dia e sofrerão o mesmo tipo de abuso que provocaram, o que já será alguma coisa em termos de “justiça”.
Apesar disso não alterar em nada a tragédia que ocorreu com essas mulheres.
Estupro coletivo foi um presente de aniversário…
Estupro coletivo foi um presente de aniversário…
Posted on 14/02/2012 by MarconiDANIEL MOTTA
Campina Grande – Uma reviravolta ocorreu no crime que chocou a cidade de Queimadas e causou ainda mais revolta nos moradores do município, localizado no Agreste paraibano (a 130 Km de João Pessoa). A polícia da Paraíba revelou, durante uma coletiva no final da manhã de ontem, que a invasão à casa e o estupro coletivo de mulheres durante uma festa foi uma “armação”. O crime foi planejado como “presente” para o aniversariante, o proprietário da casa Luciano Santos Pereira.
A delegada Cassandra Duarte revelou que todos os homens da festa sabiam do plano e que haveria os estupros em série. Os alvos principais eram duas irmãs que estavam na festa. O plano foi planejado e executado por Luciano e o irmão dele, Eduardo Pereira dos Santos, 28 anos. A dupla reuniu mais oito amigos e executaram a noite de horror, entre os convidados. Em um determinado momento da festa, parte do grupo, usando máscaras de Carnaval, simulou a invasão à casa e os estupros. As vítimas sobreviventes contaram que na hora do abuso sexual, os acusado riam do desespero e do sofrimento delas. Sete mulheres foram estupradas, das quais duas acabaram sendo mortas.
De acordo com a polícia paraibana, os irmãos só não teriam planejado as mortes da professora Isabela Pajussara Frazão Monteiro, 28 anos, e da recepcionista Michele Domingos Silva, 26. Elas foram executadas porque reconheceram Eduardo na hora em que eram estupradas. Toda a ação criminosa contou com a participação de 10 homens, dos quais três são adolescentes. Nove deles foram detidos ainda no domingo e o outro no final da manhã de ontem.
Segundo o superintendente da 2ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Campina Grande, André Rabello, o crime foi planejado pelos irmãos durante a manhã do último sábado. Luciano pediu ao irmão que ele realizasse a festa e atraísse as ex-cunhadas dele, que seriam estupradas durante a festa, uma delas, Isabela.
Homens sabiam
O delegado informou que eles compraram, em um supermercado local, os materiais para amordaçar e amarrar as vítimas e, depois, entregaram para três adolescentes que faziam parte do bando. “Após isso, eles deram continuidade ao plano, convidando as vítimas para a festa, que aconteceu durante a noite. Além das mulheres, outras 15 pessoas participaram da festa. Todos os homens que estavam no local sabiam do plano e iriam estuprar as outras. Eles só não estupraram todas que estavam na casa porque foram reconhecidos e decidiram executar as duas moças”, contou a delegada de homicídios, Cassandra Duarte.



