Fexter

Sol. Glorioso sol. Cheio, gordo, alaranjado, a manhã clara como a noite, a luz da manhã inundando toda terra e trazendo tristeza, tristeza, tristeza. Trazendo junto o chamado da manhã no cerrado goiano, a voz macia e selvagem do vento uivando através dos pelos do seu braço, o lamento vazio das luzes das estrelas, o ranger dos dentes do luar sobre a água.

Tudo isso chamando a Necessidade. Oh, o grito agudo da sinfonia das milhares de vozes ocultas, o choro da Necessidade, a entidade, o observador silencioso, a coisa fria e quieta, o dançarino das estrelas. O eu que não era eu, a coisa que zombava e ria e vinha com sua fome. Com a Necessidade. E a Necessidade agora era muito forte, muito cuidadosa gelada arrastada rachada ereta e pronta, muito forte, bem pronta agora — e ainda ela esperava e observava, e me fazia esperar e observar.

Eu não sei como ela surgiu em mim. Sabia que havia sido no fim a juventude e no começo da vida adulta. Comecei a dirigi desde muito cedo. Antes de todos os meus amigos da mesma idade. Treze anos a primeira caminhonete numa estrada de chão. Logo depois um caminhão leve. Depois um caminhão pesado. Um trator de esteira e até uma carregadeira, e enfim, uma carreta. Só depois desses peguei um carro pequeno. Antes de ter carteira, já podia dirigir, levar irmãs e mãe para os lugares. A virtude e a maldição de ser filho de um caminhoneiro. Você passa a vida contando histórias para seus amigos, sob a inveja daqueles cujos pais trabalham em escritório.

Como um cavalo selvagem que é aprisionado de um dia pro outro, sob o trânsito engarrafado, a Fúria vai surgindo e se acumulando lá dentro. Você não percebe. Silenciosa e lenta, a Fúria. Você se transforma. E ai num relance você se olha no espelho retrovisor e não se reconhece mais. Dr. Jackyll and Mr. Hide. O mostro surge e toma conta. Agora você é o Pateta naquele desenho antigo. Só falta o carimbo.

Ou o GTA da vida real. Velhinhas, 10 pts. Motoboy, 30 pts. Taxista, 50 pts. Um reality show sangrento, e como todos outros, nada engraçado. Bônus e Combos, na selva que é o trânsito das grandes cidades, é matar ou morrer. Hienas, guepardos e rinocerontes, todos demarcando o seu território. Todos lutando por alimento ($$$). Nessa luta sangrenta, perdi a conta das vezes que segui enfurecido playboy bombado (mas covarde) que me fechou. Quantas vezes xinguei o taxista babaca que pretendia entrar na minha frente. Quantas vezes ofendi a mãe da madame folgada que parou na fila dupla. E, quantas vezes o velho armado falou para eu ficar mais calmo, senão amanhã não veria a luz do sol novamente. Tudo tem um limite, eu penso depois.

Você não está preso no trânsito. Você é o trânsito.

Apesar dos fatores genético e/ou psicológicos, o ambiente, como sempre, é fundamental para explicar esse comportamento psicótico. Vivo numa cidade (Goiânia) que tem uma das maiores taxas de automóveis e motos por habitante. Aonde madames mimadas andam de SUV para ir ao supermercado da quadra ao lado comprar pão. Aonde baixinhos com complexo de inferioridade (por não terem crescido ou por terem “aquilo” pequeno?) precisam andar de caminhonete cabine dupla e 6 mts de comprimento para ir ao banco. Mas isso não é problema de uma cidade. Nesse caso particular é só uma cidade pequena que agora cresce como se tivesse um câncer se espalhando. O trânsito é ruim em todas as cidades do mundo.

Eu quero ver o meus filhos crescerem. Percebi que grande parte do meu stress não vem do trabalho, ou das dificuldades da paternidade, ou das eternas contas a pagar. Vem do trânsito. Por isso, a partir desse ano, decidi não dirigir (exceto se for estritamente necessário). Vou de ônibus (e é uma pena que os políticos subestimem tanto o potencial (eleitoral) do transporte público), irei de bicicleta (aonde a interação homem-máquina é verdadeira e real), ou se for preciso, vou à pé.

Afinal, preciso aprender a controlar o passageiro sombrio que habita em mim, pois um dia, ele toma conta, e a manhã pode ser A manhã.

Os homens que não amavam as mulheres

#Leião

Uma procuradora, bem sucedida, com dois filhos é brutalmente assassinada no seu condomínio de luxo na região metropolitana de Belo Horizonte. Já havia denunciado o ex-marido, um mauricinho perturbado, provavelmente mimado, bajulado, como todo homem de classe média. E mesmo como todo o conhecimento da lei e seguindo todos os procedimentos cabíveis na moderníssima e, excessivamente endeusada, Lei Maria da Penha, não consegue proteção. Se uma procuradora federal não consegue proteção contra a violência e ameaça, o que resta às mulheres pobres do Brasil?

A companheira suspeita que a filha, de 11 anos, está sendo abusada pelo padastro. Monta um armadilha antes de sair para o serviço, e deixa o celular dentro de uma caixa de papelão filmando tudo. Prova material de um crime. Trabalho de polícia. Com, medo pega a filha e foge para uma pequena cidade na região de Goiânia, não antes de fazer e distribuir várias cópias dos atos do padastro. O brilhante delegado, para toda a imprensa, afirma que não vai informar a localização “exata” delas, exceto que elas estão em Guapó, uma cidadezinha de 10mil habitantes na Grande Goiânia. Genial.

Uma mãe vê a filha de 12 anos sendo aliciada pelos barões do trafico num bairro pobre do Rio de Janeiro. Será mula, será escrava sexual de traficante em breve. Para tentar impedir, desesperada, bate na filha, que a denúncia ao conselho tutelar e à polícia. Com a nova Lei das Palmadas, ela vai ser indiciada, responder em juízo, provavelmente faltará ao serviço várias vezes e assim perderá o emprego. Sozinha, pois o bravo companheiro a abandonou na primeira oportunidade, não sabe o que vai ser dos seus outros 3 filhos pequenos. Deputados e deputadas em Brasília espumam ao proclamar a modernidade legislativa brasileira, conseguida assim, por decreto.

Um jovem enlouquecido de ciúmes e insegurança, invade um prédio, faz refém a ex-namorada e a amiga, mas homem que é, libera os outros dois rapazes. Seu problema é com as mulheres, não com os rapazes. Bravo. Depois de intermináveis horas de cativeiro, liberta a amiga. Os geniais policiais, todos homens, todos especialistas, todos corajosos (com uma arma na cintura), fazem com que a amiga volte ao paiol de pólvora com um fosforo aceso. Mais algumas horas depois, após ouvir “um barulho de tiro” (que pode ser o tapa na mesa de um Governador encastelado pelo desgaste político crescente com a situação que sua própria incompetência criou) a “tropa de elite” invade de maneira atabalhoada o apartamento. A ex-namorada morre, a amiga toma um tiro no rosto. Mas o jovem, sai ileso. E agora, três anos depois aguarda o julgamento. Terá que ser protegido na prisão. Cela especial, única.

Entre a ficção e a realidade, no Brasil, o país aonde não há machismo nem preconceito, não é um lugar perigoso para se viver.

Bem, exceto se você for mulher.

 

O começo do fim dos livros de papel

Que os livros de papel estão com os dias contados isso é dado. Sempre haverá um nostálgico aqui e ali que ainda vai ter pilhas deles, “saboreando” sua textura, a coloração da tinta nas pontas dos dedos, o seu cheiro de mofo e as alergias que o acumulo de ácaro e poeira trazem.

Mas assim que todos tiverem acesso a um tablet e um scanner de página dupla, será natural, como é pra mim, cortar seu velho livro, scannear e trocar aquele peso morto por um arquivo na nuvem.

Falando nisso, o próprio .pdf (como se encontra) está com os dias contados. É proprietário e rígido demais. Minhas apostas são, do lado proprietário, sempre ela com seu modelo verticalizado e eficiente, Apple com iBook Author exportando para um formato fechado e do lado aberto, com o Android e derivados (o que inclui os Kindle, Nook e similares) o HTML5 combinado com o ePub3, mas não sei se essa solução vai ter tanto suporte das editoras e desenvolvedores.

De qualquer forma, fica a dica para o MEC, ao invés de comprar milhões de computadores e livros pela FNDE e o PNLD (e por tabela cofinanciar essa mídia decadente e golpista), é melhor apostar logo em tablets e nos livros digitais que já começaram a fazer um grande estrago nessa multibilionária industria.

Para os saudosistas, sempre haverá um uso pra um velho livro de papel, como o da foto acima, ou em último caso, de peso para porta.

Sem lágrimas, por favor. Pra mim, já vão tarde.

O cerco ao Irã

Os ventos do oriente tem odor de pólvora. Está em todos os jornais: “O Irã ameaça fechar o estreito de Ormuz“. Ahmadinejad (e os Aiatolás, não se esqueçam) querem destruir a (cambaleante) economia global atrapalhando o fluxo do petróleo em um dos seus pontos nevrálgicos. Certo?

De certa maneira, me importa menos o que ocorre no Oriente Médio, e mais o como o Brasil se posiciona do ponto de vista estratégico. Antigamente, achava que o OM iria se autodestruir por questões religiosas. Hoje, tenho certeza que um dia eles vão se destruir, mas só porque lá é muito quente e tem pouca água. E tem muito petróleo, mas isso é detalhe.

Bem, isso, é o que a nossa (decrépita) mídia tenta passar. O que me incomoda no momento é como nossa mídia é incapaz de informar. Até onde sei, enquanto acreditamos que os iranianos são os vilões e querem uma bomba nuclear pra fazer um buraco aonde fica Israel, os chineses (esses sim, tem uma agenda medida em séculos e não décadas, como os americanos, ou carnavais, como os brasileiros) nadam de braçada com uma diplomacia inovadora e agressiva. Até aonde vão? Façam suas apostas.

Não se vê uma única linha dizendo que o que as potências ocidentais querem é o petróleo. É sabido desde o principio que os EUA não aceitariam um desbalanceamento de forças na região. Logo agora, enquanto ainda somos tão dependentes de combustíveis fosseis quanto um viciado é por cocaína. Não enquanto existe a possibilidade das reservas de petróleo terem atingido o seu pico.

O programa nuclear iraniano não seria a desculpa ideal pra resolver de vez o problema? Depois do Iraque e Afeganistão (e Palestina), as potenciais ocidentais vão fazer com o Irã o que todo Império faz quando um inimigo ousa desafiá-los: subjugar, conquistar e dominar.

Mas, obviamente, até os grãos de areia fumegantes do deserto de Dasht-e-Lut sabem que o Irã não é o Iraque. Não é só isolar, esperar alguns anos e invadir. Então, no manual “Guerra para Iniciantes”, o segundo capítulo é: “Como cercar o seu inimigo e enfraquecer suas defesas.

Basta lembrar dos romanos, ou se não quisermos ir tão longe na história, lembrar que a guerra no Iraque só foi (tão) fácil por que após anos de bloqueio os tanques e aviões do Saddam estavam sucateados. Hoje a única coisa que mudou é o tipo de cerco é econômico-financeiro.

A única diferença é que o Irã não vai esperar isso acontecer passivamente. Vão provocar enquanto podem causar algum estrago (ver infográfico). Então, logicamente, haverá guerra. As provocações em Ormuz, são só o começo. E até aonde vi (e o Lula e o Celsão também) não haverá concessão (minimamente soberana) que será aceita pelas grandes potências. Pelo caminhar da carruagem, inevitavelmente haverá guerra.

Não é uma questão de ser a favor ou contra iranianos, americanos ou judeus. Não é sobre acreditar, como tolos e misses acéfalas, na Paz Mundial. O que me tira o sono, é que o Brasil, esse gigante adormecido, a potência que ainda não foi, não estar discutindo estratégias.

Quando digo estratégia, isso significa uma visão que pense na nossa capacidade de construir estradas, de fazer aviões e navios, de conseguir produzir, armazenar e distribuir etanol em grande escala, de tirar mais petróleo do pré-sal mais rapidamente, enfim, de inovar em todos setores. Você deve fazer isso em situação normal, mas você terá que fazer isso num momento de turbulência geopolítica como o que se aproxima.

Não falo de ilusões, nem de subitamente sermos capazes de decidir uma guerra do outro lado do mundo. Só gostaria de ser mais otimista com a possibilidade de estarmos preparados para nos posicionarmos melhor após um conflito dessa magnitude. Afinal, não no pós-guerra que nascem as novas potências?

Procrastinação

 

At the End of a Procrastinated Day

Procrastination is the worst feeling ever. Sitting here, staring at my screen. Watching net videos, a full two-hours stupid documentation and not enjoying one second. Then, surfing the web once more. Refreshing Hacker News and my four favorite news sites in rotation, every minute—all the goddamn day. And my work is just one Command-Tab away. Even my new 3.99-Pomodoro-app (ps.: ou tomighty for linux-free) won’t bring me back to work.

Getting me some water from the kitchen. After all, some movement away from Chrome and thousands of open tabs. Eating a banana and listening to music which I just bought somewhere in the net.

I’ve still no clue why humans procastrinate. It feels so bad and I know I’d feel better if I was working again.

But I won’t.

Ao fim de um dia de procrastinação

Procrastinação é o pior sentimento de todos. Sentado aqui, olhando para meu monitor. Assistindo vídeos na net, duas horas de estúpida documentação e não gostando nem um segundo. Então, surfando na web mais uma vez. Atualizando o Hacker News e meus quatro sites de noticia favoritos alternadamente, a cada minuto – durante todo o maldito dia. E meu trabalho está a somente a um comando-aba de distância. Mesmo meu novo aplicativo de gerenciamento de tempo de US$ 3,99 não é capaz de me trazer de volta ao trabalho.

Pegando um pouco de água na cozinha. Afinal, algum distanciamento do Chrome e suas milhares de abas abertas. Comendo uma banana e  ouvindo música  que eu acabei de comprar em algum lugar na net.

Eu não tenho a menor ideia por que os humanos procrastinam. Isso me faz sentir tão mal e sei que eu me sentiria melhor se eu estivesse trabalhando novamente.

Mas eu não vou.

Procrastinação é mais uma dessas heranças primitivas. Ela nos faz valorizar mais o que traz retorno imediato ante o retorno a longo prazo, mesmo que dê um retorno maior. Ela desafia a razão, nos confunde e atrapalha nosso planos. Ela é movida pelo impulso.

É por isso que compramos um carro financiado pra poder parar de pegar ônibus hoje ao invés de poupar pra comprar a vista dois carros daqui a dois anos. É por isso que comemos doces/gordura hoje e deixamos a dieta pra amanhã. É por isso que saímos pra beber cerveja/fumar cigarro hoje e deixamos de ir pra academia amanhã. É por isso que deixamos a monografia/dissertação/tese pra semana final de entrega.

A ciência já sabe. A economia comportamental (behavioral economics) já sabe. E com isso os publicitários já sabem. É por isso que os chocolates e salgadinhos ficam na boca do caixa. É por isso que vocês não saem do Twitter. É por isso que seu Facebook fica aberto o dia inteiro.

É, de certa forma, natural. Mas nos torturamos com isso, pois essa luta é muito recente. Pra agravar o problema é que vivemos na “Era da Distração“. Vivemos na “Era do Tempo Real. Tudo é imediato. Somos bombardeados por estímulos por todos os lados. Assim não focamos em mais nada.

Eu acho que “encontrei jesuis, encontrei jesuis”. Depois de muito esforço, voltei a focar. Estou eliminado atividades que me distraem ou considero excessivas. Delegando. Ontem tive uma recaída, mas acredito que é normal. É como parar de fumar (ver post em breve). Só funciona depois da terceira tentativa.

Mas se você olhar suas intermináveis lista de to-do (a fazer), seus livros (e-books) a serem lidos, os filmes não finalizados no Netflix, etc., perceberá que é um longo caminho. Uma batalha sem fim.

E sem garantia alguma de vitória. Mas como humanos que somos, continuamos lutando.

PS.: Nos comentários no post acima tem várias referências complementares.

Joshua Topolsky – “It’s all about the software”

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Eu não sei como dizer isso pra vocês, mas eu juro que eu não tinha terminado de ler esse texto antes de escrever “É o software, estúpido“.

Tinha visto que o Topolsky (ex-Engadget e agora no totalmente excelente The Verge) tinha começado a escrever pro WSJ e guardei o texto pra ler só agora.

Não tenho explicação pra essas coisas, mas ele termina com o que eu comecei: “It’s the software, stupid!“.

Sincronicidade, diria Carl Gustav Jung.

The secret behind the Apple iPad 2’s success – The Washington Post

The secret behind the Apple iPad 2 and other popular gadgets: It’s all about the software
By Joshua Topolsky, Published: December 14

Recently, I got into a little argument on Twitter with some folks in the technology industry about hardware. More specifically, about whether impressive hardware specifications really matter in the age of the app.

I believe that hardware specs — speed, memory, screen size — do make a difference, but that difference can take you only so far.

Although CPU speed and RAM might dictate what’s possible to do with a gadget, developers and designers now have to actually deliver on those promises. Take, for example, the disparity between the iPad 2, which has a 1-GHz CPU, and most new Android tablets, which run far faster than that.

Would anyone who has used both devices argue that the experience of the Android tablet is superior to that of the iPad 2? Doubtful.

The more I thought about this question of hardware vs. software, the more intrigued I became about the future of our technology and how it will develop in the next five or 10 years.

Since the personal computer was invented, we’ve been in a kind of space race when it comes to the speed, storage and memory of machines. Sure, software has always been a component of selling these systems, but when it comes to proving your value, it was all about specs.

But something odd has happened in the past few years. As we’ve started to interact more closely with our technology, and our technology has become more personal, the focus has turned almost completely to the software — to apps and the experience.

The more we touch, shake and swipe our devices — and the more we think of those devices as intimate parts of our daily lives — the more the hardware has faded into the background.

Think about it — most phones these days are nothing more than a touch screen. Almost every interaction with the device is carried out directly with the software.

As the importance and relevance of great applications grows for our devices, the divide between the great experiences and the ones that leave you wanting is becoming clearer with each passing day.

You could almost argue that there’s a kind of fundamental split between the platforms that have been tailored to provide a consistent, elegant experience and those that have been left more open.

You can hedge your bets with a faster processor and larger screen all you want, but if the foundation for a great software experience doesn’t exist for users and developers, it’s likely that users will take their business elsewhere.

I recently took a trip to Microsoft to see research projects the company is working on. Some of those science experiments involved entire walls that were touch screens, “magic windows” that would let you peer into someone else’s house or office, and augmented reality systems that let you interact with seemingly real-world objects that you could view through only a tablet screen.

What struck me most about the experience of seeing these projects was that, although I was immersed in the action of using them, I never took a moment to think about the hardware.

What mattered standing in front of that touch-screen wall or playing that augmented-reality game was the pure experience. It was an extension of what I feel today when I dictate an e-mail into my smartphone, use a 3-D map of my surroundings to navigate somewhere, or take a photo and then have it magically appear in the cloud.

In the best cases — the best moments — with technology, the software experience allows us to extend and expand what we’re capable of doing.

In 10 years, it’s possible that the software and the experience will blur even further with what we do and how we do it — leading to a pure experience the likes of which we haven’t seen before.

When our entire environment can be interacted with, you won’t be thinking about the CPU speed, memory or screen size of a product.

You’ll just be thinking about how to get things done and move through the world.

The more advanced our products get, the more subtle and sophisticated our software has to be. Today, we’re just starting out with touch screens and voice recognition. Tomorrow, everything we touch might be an experience waiting to happen.

Let’s hope that the computer-makers that are touting specs today learn this lesson for the future: It’s the software, stupid.

Joshua Topolsky is founding editor in chief of the Verge (www.theverge.com), a technology news Web site that debuted this fall, and the former editor in chief of Engadget. He is the resident tech expert for NBC’s “Late Night With Jimmy Fallon.”

© The Washington Post Company

SOPA – A Lei da Censura da Internet

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É preciso que nos preparemos para a grande batalha que acontecerá nos próximos anos: a censura a internet. A tentativa de bloqueio no coração dela (o DNS).

De certa forma passamos a acreditar que isso não seria possível. Mas os lobistas da RIAA e da MPAA não se cansam, e ao invés de reformar seus modelos de negócios bilionários, preferem passar leis de censura e monitoramento.

Mas duvido que essa lei seja só promovida por essas entidades, muitos governos e governantes gostariam de ter de volta esse poder.

De volta, pois pela primeira vez, desde a invenção da democracia, ela está prestes a se tornar realmente plena. A dar voz e a equiparar a voz do indivíduo com a da grande corporação. Da grande celebridade com o anônimo. Dos governantes com os seus cidadãos e eleitores.

Eles não vão desistir assim fácil. Aqui no Brasil ainda estamos lutando contra o “AI-5 Digital“, e não podemos descuidar nem um segundo.

E lá fora, a batalha contra a “SOPA” está crescendo. Nessa semana saiu a lista das empresas que a apoiam e começaram a surgir algumas reações.

Precisamos nos informar e mobilizar contra essa tentativa de controle da internet, por que, a partir de agora, ela será permanente.

É o software, estúpido!

Meses atrás o Marc Andressen entre outras coisas, co-fundador da Netscape e hoje com o Brad Horowitz, investidor em inúmeras startups escreveu no WSJ (ver abaixo) sobre como o software está engolindo o mundo.

Ele não é o primeiro, e nem vai ser o último a dissertar sobre isso. Confesso que nós, técnicos, temos um sério problema de comunicação com as outras pessoas “normais”. Às vezes, ignoramos que o que é óbvio para nós às vezes não o é para os outros.

Vejam as últimas decisões do Governo. Uma série de medidas a fim de “proteger a industria nacional”. Por outro lado, tenta inutilmente trazer para o Brasil certas “industrias”. O exemplo mais patético são os consoles de videogames. Passamos anos clamando por isso, e só agora, quando a 7ª geração de consoles (Wii, PS3 e XBox360) chega, melancolicamente, ao fim é que pessoas no governo começam a discutir políticas específicas para esse setor.

Não dá mais! Já era! Acabou. A própria industria de games está sendo solapada pela revolução mobile. Há dúvidas se teremos uma 8ª geração de consoles. Com o aumento da capacidade de processamento e os avanços na nanotecnologia um smartphone ou tablet é – ou bem em breve será – capaz de ser a plataforma ideal para jogos eletrônicos.

A solução óbvia, natural, para o problema é estimular a produção dos jogos. O software, não o hardware. Mas não, todas as políticas seguem aquilo que considero a “maldição cepalina“. Burocratas por todo o governo e universidades, acreditam piamente que seremos capazes de promover uma “substituição de importações” plena, em todos os setores. E como isso recursos já escassos para setores que simplesmente não importam mais.

Vejamos as últimas decisões para o setor automobilístico. Não estou aqui, querendo que o deixem nossas montadoras, construídas à base de pesados subsídios, sob o ataque das agressivas montadoras asiáticas. Só gostaria que houvesse o mínimo de contrapartida delas, aceitando investir uma pequena parte em design e em carros e motos elétricas.

Um exemplo de uma boa política foi a construída a fim de atrair a produção de tablets, o chamado Processo Produtivo Básico (PPB). Mas só pode funcionar por que é um mercado recente. Mas mais importante que isso, é financiar a produção de conteúdo, software para tais plataformas. O software é a forma de revolucionar a indústria brasileira.

A Apple apesar das aparências, não revolucionou com o hardware dos seus produtos, revolucionou com inovação, com o design, com o software, com o conteúdo. O hardware só acompanhou um conceito mais profundo. A ideia física de tablet e smartphones já existia há anos. Veja aonde a Nokia, que produziu um dos smartphones com o hardware mais robusto da história (N95), está hoje. A obsolescência não perdoa ninguém.

O Android não está se consolidando como futura plataforma dominante por causa da qualidade do hardware que os fabricantes criam pra ele, e sim, pela consistência do ecossistema criou. Pela inovação constante que as só as plataformas abertas permitem. Pela agilidade e rápidas iterações para agregar funcionalidades.

É preciso convencer os governantes que fechar nossa economia ainda mais não vai ajudar em nada o nosso desenvolvimento. Um jovem designer ou empreendedor que precise de uma impressora 3D pra fazer a prototipação de um produto inovador a baixo custo, gastaria quanto, e principalmente, perderia quanto tempo pra fazer a importação? E os intermediários? E a burocracia? E a incerteza jurídica?

O Governo ainda acredita que a inovação acontece numa universidade ou instituto, quando na verdade ela está na cabeça dos jovens. Os mesmos jovens que abandonam uma Universidade ultrapassada, cheia de velhos, com regras draconianas, com professores que mais parecem ditadores. Foram jovens que largaram os “estudos” que criaram a Apple, o Google, a Microsoft e o Facebook numa garagem

As maiores companhias do mundo em breve serão as produtoras de software. Do mesmo tamanho só alguns dinossauros que ainda se alimentam da nossa estúpida dependência de combustíveis fósseis. Mas não podemos apostar nosso futuro e o dos nossos filhos numa industria que tem data de vencimento, ou na produção de bens primários sem a agregação de valor e tecnologia.

Esse deveria ser o foco do debate político hoje. É por isso que os jovens estudantes, técnicos e cientistas deveriam se mobilizar. Uma economia mais aberta, e não o contrário. E foco (não só verbas) na inovação, ciência e tecnologia.

Why Software Is Eating The World

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