“A ousadia de Lula e do PT” por Alberto Carlos Almeida

A ousadia de Lula e do PT | Valor Econômico

A ousadia de Lula e do PT
Por Alberto Carlos Almeida | De São Paulo

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acaba de ser agraciado com o prêmio John W. Kluge, conferido pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, a mais completa do mundo. A declaração do chefe da biblioteca acerca do premiado é paradigmática: “Em termos puramente científicos e acadêmicos, ele tem que ser considerado o mais notável cientista político da América Latina no fim século XX. Não só é a primeira pessoa com uma carreira política pessoal relevante a ganhar este prêmio, como é também um representante acabado do que chamamos cientista social. Se quisermos fazer uma comparação americana, ele é como Thomas Jefferson, desempenhando um papel-chave na construção de uma democracia com fundamentação acadêmica”.

Isso foi suficiente para que os tucanos que desprezam o PT passassem a comparar Fernando Henrique com Lula em função do fato de o ex-presidente petista ter recebido recentemente os títulos de doutor honoris causa de várias universidades do Rio de Janeiro. O prêmio de Fernando Henrique, segundo tais críticos, revelaria claramente sua superioridade em relação a Lula e, acrescentaria eu, provavelmente do PSDB sobre o PT.

É curiosa a insistência de alguns segmentos do PSDB no desprezo em relação ao PT. Lula é um animal exclusivamente político. Ele não está preocupado sobre quem tem mais títulos de universidades ou de bibliotecas renomadas. Os títulos que Lula detém são os três mandatos presidenciais consecutivos do PT. Na política, é isso que de fato importa e deveria ser considerado pelos adversários do PT – se tiverem realmente o desejo de competir de igual para igual.

Uma das marcas mais importantes da trajetória política de Lula e do PT é a ousadia. As decisões da pessoa de Lula e da instituição por ele construída e liderada são a prova mais cabal de que, na política, ser ousado traz resultados benéficos. Os críticos deste argumento afirmam que Collor também ousou, e se deu mal. É evidente que sim: Collor não tinha com ele uma instituição sólida, um partido consolidado. Afinal, nada mais distante disso do que o PRN ao qual ele pertencia. Ousadia funciona, sim, desde que combinada com uma ideologia clara e uma instituição forte.

O primeiro grande risco tomado por Lula foi fundar um partido inteiramente novo. O PT nasceu fora da tradição política intelectual da esquerda brasileira e também fora do berço do sindicalismo ligado ao setor público. O líder principal do novo partido nunca lera Karl Marx (ainda bem) e a sua base social, diferentemente do que ocorrera nos anos 1960, eram os sindicatos do setor privado. Ele foi produto da industrialização do Brasil e, não por acaso, seu berço é a região do ABC paulista.

A história é bem conhecida e cabe aqui apenas pontuar alguns episódios de tomada de risco do novo partido e de seu principal líder: disputar uma eleição para governador em 1982 sem acesso a recursos políticos relevantes; disputar uma eleição presidencial, em 1989, nessas mesmas condições, enfrentando e derrotando líderes de renome e com grande estrutura, tal como acontecera com Brizola; entrar em confronto direto com toda a elite política brasileira, atacando de forma incessante o FMI, o pagamento da dívida externa e políticas econômicas adotadas recorrentemente no Brasil. Todas essas ações de alto risco poderiam ter resultado na extinção do PT. Foi o contrário que ocorreu: o partido cresceu na adversidade e desde que foi fundado aumenta a cada eleição o número de deputados federais, senadores, deputados estaduais e prefeitos. Atualmente, o PT tem a maior bancada de deputados federais e o maior número de deputados estaduais, quando se somam todas as unidades da Federação.

Uma das maiores ousadias do PT foi quebrar a velha tradição conciliatória da elite política tradicional brasileira. Nosso sistema político, o presidencialismo de coalizão, atua como uma força centrípeta, que leva os principais atores para o centro político, para a conciliação e para a acomodação. O PT sabe, sem sombra de dúvidas, atuar dentro de nossas instituições. Foi esse saber que permitiu que Lula e Dilma tivessem maioria parlamentar. O PT foi, porém, o partido do conflito quando esteve na oposição e hoje, no governo, é o partido com maior sede de ampliar seu espaço político. Faz alianças, sim, mas está pronto para conquistar o terreno político que pertence a alguns de seus aliados. Não há nenhum mal nisso. Da mesma maneira que os empresários de sucesso são reconhecidos porque têm a ambição de fazer suas empresas crescerem e conquistarem mais mercado, os políticos e os partidos de sucesso cultivam o desejo incessante de conquistar mais e mais poder. Ninguém está proibido de se comportar assim, nem a oposição.

Lula assumiu a Presidência em 2003 e fez uma inflexão política formidável: manteve grande parte da política econômica de Fernando Henrique, aumentou o superávit primário, de 3,75% para 4,25%, controlou o gasto social e expulsou quatro parlamentares que votaram contra a reforma da previdência aprovada pelo PT, mas sempre defendida pelo PSDB. Os expulsos foram Luciana Genro, Babá, João Fontes e a então senadora Heloísa Helena. Haja ousadia. A moderação de Lula em seu primeiro mandato foi crucial para o sucesso econômico de seu governo e, consequentemente, para sua reeleição.

Lula não parou aí. Seus principais colaboradores, José Dirceu e Antonio Pallocci, foram abatidos, respectivamente, pelos escândalos do mensalão e do caseiro. Sem eles, Lula escolheu Dilma Rousseff para disputar sua sucessão. Sua ministra da Casa Civil jamais tinha concorrido em uma eleição. Para muitos analistas políticos, não houve risco maior do que este. Lula ousou e venceu.

Dilma está seguindo os mesmos passos de seu pai político: demitiu vários ministros por conta de escândalos de corrupção, está tentando adotar uma política econômica diferente de seu antecessor, fez uma inserção inédita no Dia das Mães em cadeia de rádio e TV e passou a adotar medidas concretas para reduzir os juros. Não cabe aqui discutir se a redução de juros por meio da regulação estatal é correta ou não. Alguns dirão que sim, argumentando que a oferta de crédito no Brasil é extremamente concentrada. Outros dirão que não, porque o governo estaria agindo contra as regras da economia de mercado. Não é isso que está em discussão aqui, mas sim o caráter politicamente ousado da decisão.

O PT, guiado por seu instinto de sobrevivência, adota o método da tentativa e erro – pelo visto, menos erros do que tentativas. Eis a CPI do Cachoeira. Mais uma vez, os analistas se puseram a afirmar que se tratou de um tiro no pé dado por Lula. Será mesmo? Na política, não existe o contrafactual, não existe o “se”. Ainda assim, poderíamos fazer um pequeno exercício e imaginar o que a mídia estaria falando hoje se não existisse a CPI. É óbvio que o noticiário estaria inteiramente dominado por notícias ligadas ao julgamento do mensalão. Do ponto de vista exclusivamente midiático, a CPI do Cachoeira já alcançou seu principal objetivo. O recesso parlamentar se inicia em meados de julho e, a partir daí, as eleições municipais se tornarão a principal notícia. Até lá, a eventual exposição negativa do PT e de seus políticos ao julgamento do mensalão terá sido minimizada. Por outro lado, o governo Dilma reagiu com rapidez (e ousadia) às denúncias que recaíam sobre a construtora Delta, por se tratar da principal contratada para muitas das obras do PAC.

Os adversários do PT deveriam, antes de menosprezá-lo, procurar entendê-lo melhor. Desconsiderar suas virtudes é a maneira mais fácil de continuar sofrendo derrotas eleitorais consecutivas. As forças políticas precisam ser avaliadas também em função de sua eficácia. Há razões muito claras que vêm levando o PT a ser mais eficaz do que seus adversários: a ousadia é uma delas, não a única.

Alberto Carlos Almeida, sociólogo e professor universitário, é autor de “A Cabeça do Brasileiro” e “O Dedo na Ferida: Menos Imposto, Mais Consumo”. E-mail: Alberto.almeida@institutoanalise.com www.twitter.com/#!/albertocalmeida

Jânio de Freitas :: “Irã não está trabalhando na bomba brinda o Brasil e a Turquia”

Folha de S.Paulo – Poder – Uma notícia especial – 26/04/2012
Janio de Freitas

Uma notícia especial

A conclusão de Israel de que o Irã não está trabalhando na bomba brinda o Brasil e a Turquia

O MUNDO mudou em poucos minutos ontem.

Foi o tempo para que se difundissem as conclusões no governo de Israel -por aqui, divulgadas com atraso- de que o Irã não está trabalhando na produção de bomba nuclear. Por seus tantos significados e pelo inesperado, uma notícia que se integra àquelas de natureza especial no jornalismo, pelo poderoso efeito imediato em cada ser de bom senso, mundo afora.

Foi também o dia das diplomacias do Brasil e da Turquia, e em particular do ex-presidente Lula e do recém-eleito presidente Tayyp Erdogan, da Turquia.

À época presidente brasileiro e primeiro-ministro turco, os dois estiveram na iminência de antecipar o fim do clima de pré-guerra contra o Irã. O êxito de sua intermediação no problema, a pedido de Barack Obama, trouxe grande probabilidade de negociações esclarecedoras dos iranianos e de distensão dos temores de Israel e do Ocidente.

Visto o êxito, Barack Obama deu as costas aos dois e à oportunidade sem precedente.

Hoje, a conclusão emitida por altas figuras israelenses brinda o Brasil e a Turquia. E vale como denúncia das responsabilidades de Barack Obama, e em parte também da ONU, pelos últimos dois anos de tensão, de castigos econômicos impostos ao povo iraniano e da difícil contenção de um ataque israelense ao Irã. A título preventivo do que, está dito em Israel, não havia a prevenir.

Dentre os pronunciamentos israelenses de ontem, a meu ver o realce cabe ao de Ehud Barak, general e ministro da Defesa, segundo o qual “o Irã ainda não decidiu fazer a bomba nuclear”.

Nem ao menos decidiu.

Quando primeiro-ministro, por período a que o radicalismo de direita negou maior duração, Ehud Barak mostrou empenho sincero no alcance de convivência pacífica com os palestinos e os demais árabes. Atual integrante do governo ultradireitista de Netanyahu, no arranjo político para compor um gabinete, Ehud Barak falou duro sobre e contra o Irã, mas jamais engrossando as ansiedades belicistas do primeiro-ministro.

É verdade que já vivemos muitos momentos promissores, logo frustrados, na questão do Oriente Médio. Ainda que não pareça, o de agora pode repetir os anteriores. Mas o que ficará das afirmações feitas influirá daqui para a frente.

Outra hipótese, política e menos provável, é a de que Ehud Barak e outros tenham se exposto, com informações ainda insuficientes, para dificultar a aceleração sigilosa de ações desejadas por Netanyahu. Estas e outras hipóteses exigem a mesma coisa: esperar para ver se alguma prevalece.

Até lá, por breve que seja, um novo clima no mundo é benfazejo.

Chris Anderson :: “Como os vídeos da internet potencializam a inovação global”

“De repente, aqui estamos. A humanidade assiste 80 milhões (+150 hoje) de horas de videos no Youtube todos os dia”. E pra quem acha que quando falamos de vídeos é só de bebês rindo, assista o final da apresentação.

Mais homens que não amavam as mulheres

Mais da metade das vitimas de estupro são menores de 14 anos

Um grupo de “amigos” se reúnem. Compram cerveja e carne. Chamam outros “homens” e, pra completar vizinhas e colegas do trabalho. Dez homens e sete mulheres. No meio da festa, dois deles simulam um assalto e estupram coletivamente as mulheres. Seria o “presente de aniversário”. Duas delas reconhecem os mascarados. Eles decidem assassiná-las.

Parece a trama de um filme macabro, mas não é. Isso explica bem porque abandonei por um tempo a ficção para (tentar) entender a realidade. Hoje a melhor ficção não se compara à realidade.

Mas não fosse o reconhecimento e o assassinato esse crime sequer teria saído daquela pequena cidade da Paraíba. Seria fácil enquadrá-los como psicopatas, mas seria só isso? Começo a acreditar num certo tipo de condescendência dos demais homens enquanto esse tipo de comportamento ainda não aflora nos mais jovens.

Já passei por diversas situações em que conversas “tortas” (mas nunca sequer parecidas com esse evento) surgem. Nesse momento imagino outros homens argumentando que as “mulheres não eram santas”, esse tipo de pensamento que eventualmente temos que ouvir numa mesa de bar. Eu sinceramente me cansei de ouvir essas imbecilidades. Aguentar calado um idiota que acabei de conhecer por intermédio de um outro conhecido falando merda sobre sexo com adolescentes na minha frente. Expondo sinais de sua pedofilia enrustida.

Se as garotas não tivessem sido mortas nesse crime, eles seriam investigados e julgados por homens com uma visão de mundo no mínimo que atenua crimes como esses. Por isso é importante o avanço das mulheres sobre cargos como delegadas, promotoras e juízas. Esse viés machista das sociedade só mudará a força. E só depende das mulheres.

De qualquer forma, eles só não escaparão no presidio aonde a lei da selva impera, e pais presos com filhas aqui fora, sabem que é preciso um “sinal”. Presos, serão a puta do pavilhão, apanharão todo dia e sofrerão o mesmo tipo de abuso que provocaram, o que já será alguma coisa em termos de “justiça”.

Apesar disso não alterar em nada a tragédia que ocorreu com essas mulheres.

Estupro coletivo foi um presente de aniversário…

Estupro coletivo foi um presente de aniversário…
Posted on 14/02/2012 by Marconi

DANIEL MOTTA

Campina Grande – Uma reviravolta ocorreu no crime que chocou a cidade de Queimadas e causou ainda mais revolta nos moradores do município, localizado no Agreste paraibano (a 130 Km de João Pessoa). A polícia da Paraíba revelou, durante uma coletiva no final da manhã de ontem, que a invasão à casa e o estupro coletivo de mulheres durante uma festa foi uma “armação”. O crime foi planejado como “presente” para o aniversariante, o proprietário da casa Luciano Santos Pereira.

A delegada Cassandra Duarte revelou que todos os homens da festa sabiam do plano e que haveria os estupros em série. Os alvos principais eram duas irmãs que estavam na festa. O plano foi planejado e executado por Luciano e o irmão dele, Eduardo Pereira dos Santos, 28 anos. A dupla reuniu mais oito amigos e executaram a noite de horror, entre os convidados. Em um determinado momento da festa, parte do grupo, usando máscaras de Carnaval, simulou a invasão à casa e os estupros. As vítimas sobreviventes contaram que na hora do abuso sexual, os acusado riam do desespero e do sofrimento delas. Sete mulheres foram estupradas, das quais duas acabaram sendo mortas.

De acordo com a polícia paraibana, os irmãos só não teriam planejado as mortes da professora Isabela Pajussara Frazão Monteiro, 28 anos, e da recepcionista Michele Domingos Silva, 26. Elas foram executadas porque reconheceram Eduardo na hora em que eram estupradas. Toda a ação criminosa contou com a participação de 10 homens, dos quais três são adolescentes. Nove deles foram detidos ainda no domingo e o outro no final da manhã de ontem.

Segundo o superintendente da 2ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Campina Grande, André Rabello, o crime foi planejado pelos irmãos durante a manhã do último sábado. Luciano pediu ao irmão que ele realizasse a festa e atraísse as ex-cunhadas dele, que seriam estupradas durante a festa, uma delas, Isabela.

Homens sabiam

O delegado informou que eles compraram, em um supermercado local, os materiais para amordaçar e amarrar as vítimas e, depois, entregaram para três adolescentes que faziam parte do bando. “Após isso, eles deram continuidade ao plano, convidando as vítimas para a festa, que aconteceu durante a noite. Além das mulheres, outras 15 pessoas participaram da festa. Todos os homens que estavam no local sabiam do plano e iriam estuprar as outras. Eles só não estupraram todas que estavam na casa porque foram reconhecidos e decidiram executar as duas moças”, contou a delegada de homicídios, Cassandra Duarte.

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Fexter

Sol. Glorioso sol. Cheio, gordo, alaranjado, a manhã clara como a noite, a luz da manhã inundando toda terra e trazendo tristeza, tristeza, tristeza. Trazendo junto o chamado da manhã no cerrado goiano, a voz macia e selvagem do vento uivando através dos pelos do seu braço, o lamento vazio das luzes das estrelas, o ranger dos dentes do luar sobre a água.

Tudo isso chamando a Necessidade. Oh, o grito agudo da sinfonia das milhares de vozes ocultas, o choro da Necessidade, a entidade, o observador silencioso, a coisa fria e quieta, o dançarino das estrelas. O eu que não era eu, a coisa que zombava e ria e vinha com sua fome. Com a Necessidade. E a Necessidade agora era muito forte, muito cuidadosa gelada arrastada rachada ereta e pronta, muito forte, bem pronta agora — e ainda ela esperava e observava, e me fazia esperar e observar.

Eu não sei como ela surgiu em mim. Sabia que havia sido no fim a juventude e no começo da vida adulta. Comecei a dirigi desde muito cedo. Antes de todos os meus amigos da mesma idade. Treze anos a primeira caminhonete numa estrada de chão. Logo depois um caminhão leve. Depois um caminhão pesado. Um trator de esteira e até uma carregadeira, e enfim, uma carreta. Só depois desses peguei um carro pequeno. Antes de ter carteira, já podia dirigir, levar irmãs e mãe para os lugares. A virtude e a maldição de ser filho de um caminhoneiro. Você passa a vida contando histórias para seus amigos, sob a inveja daqueles cujos pais trabalham em escritório.

Como um cavalo selvagem que é aprisionado de um dia pro outro, sob o trânsito engarrafado, a Fúria vai surgindo e se acumulando lá dentro. Você não percebe. Silenciosa e lenta, a Fúria. Você se transforma. E ai num relance você se olha no espelho retrovisor e não se reconhece mais. Dr. Jackyll and Mr. Hide. O mostro surge e toma conta. Agora você é o Pateta naquele desenho antigo. Só falta o carimbo.

Ou o GTA da vida real. Velhinhas, 10 pts. Motoboy, 30 pts. Taxista, 50 pts. Um reality show sangrento, e como todos outros, nada engraçado. Bônus e Combos, na selva que é o trânsito das grandes cidades, é matar ou morrer. Hienas, guepardos e rinocerontes, todos demarcando o seu território. Todos lutando por alimento ($$$). Nessa luta sangrenta, perdi a conta das vezes que segui enfurecido playboy bombado (mas covarde) que me fechou. Quantas vezes xinguei o taxista babaca que pretendia entrar na minha frente. Quantas vezes ofendi a mãe da madame folgada que parou na fila dupla. E, quantas vezes o velho armado falou para eu ficar mais calmo, senão amanhã não veria a luz do sol novamente. Tudo tem um limite, eu penso depois.

Você não está preso no trânsito. Você é o trânsito.

Apesar dos fatores genético e/ou psicológicos, o ambiente, como sempre, é fundamental para explicar esse comportamento psicótico. Vivo numa cidade (Goiânia) que tem uma das maiores taxas de automóveis e motos por habitante. Aonde madames mimadas andam de SUV para ir ao supermercado da quadra ao lado comprar pão. Aonde baixinhos com complexo de inferioridade (por não terem crescido ou por terem “aquilo” pequeno?) precisam andar de caminhonete cabine dupla e 6 mts de comprimento para ir ao banco. Mas isso não é problema de uma cidade. Nesse caso particular é só uma cidade pequena que agora cresce como se tivesse um câncer se espalhando. O trânsito é ruim em todas as cidades do mundo.

Eu quero ver o meus filhos crescerem. Percebi que grande parte do meu stress não vem do trabalho, ou das dificuldades da paternidade, ou das eternas contas a pagar. Vem do trânsito. Por isso, a partir desse ano, decidi não dirigir (exceto se for estritamente necessário). Vou de ônibus (e é uma pena que os políticos subestimem tanto o potencial (eleitoral) do transporte público), irei de bicicleta (aonde a interação homem-máquina é verdadeira e real), ou se for preciso, vou à pé.

Afinal, preciso aprender a controlar o passageiro sombrio que habita em mim, pois um dia, ele toma conta, e a manhã pode ser A manhã.

Os homens que não amavam as mulheres

#Leião

Uma procuradora, bem sucedida, com dois filhos é brutalmente assassinada no seu condomínio de luxo na região metropolitana de Belo Horizonte. Já havia denunciado o ex-marido, um mauricinho perturbado, provavelmente mimado, bajulado, como todo homem de classe média. E mesmo como todo o conhecimento da lei e seguindo todos os procedimentos cabíveis na moderníssima e, excessivamente endeusada, Lei Maria da Penha, não consegue proteção. Se uma procuradora federal não consegue proteção contra a violência e ameaça, o que resta às mulheres pobres do Brasil?

A companheira suspeita que a filha, de 11 anos, está sendo abusada pelo padastro. Monta um armadilha antes de sair para o serviço, e deixa o celular dentro de uma caixa de papelão filmando tudo. Prova material de um crime. Trabalho de polícia. Com, medo pega a filha e foge para uma pequena cidade na região de Goiânia, não antes de fazer e distribuir várias cópias dos atos do padastro. O brilhante delegado, para toda a imprensa, afirma que não vai informar a localização “exata” delas, exceto que elas estão em Guapó, uma cidadezinha de 10mil habitantes na Grande Goiânia. Genial.

Uma mãe vê a filha de 12 anos sendo aliciada pelos barões do trafico num bairro pobre do Rio de Janeiro. Será mula, será escrava sexual de traficante em breve. Para tentar impedir, desesperada, bate na filha, que a denúncia ao conselho tutelar e à polícia. Com a nova Lei das Palmadas, ela vai ser indiciada, responder em juízo, provavelmente faltará ao serviço várias vezes e assim perderá o emprego. Sozinha, pois o bravo companheiro a abandonou na primeira oportunidade, não sabe o que vai ser dos seus outros 3 filhos pequenos. Deputados e deputadas em Brasília espumam ao proclamar a modernidade legislativa brasileira, conseguida assim, por decreto.

Um jovem enlouquecido de ciúmes e insegurança, invade um prédio, faz refém a ex-namorada e a amiga, mas homem que é, libera os outros dois rapazes. Seu problema é com as mulheres, não com os rapazes. Bravo. Depois de intermináveis horas de cativeiro, liberta a amiga. Os geniais policiais, todos homens, todos especialistas, todos corajosos (com uma arma na cintura), fazem com que a amiga volte ao paiol de pólvora com um fosforo aceso. Mais algumas horas depois, após ouvir “um barulho de tiro” (que pode ser o tapa na mesa de um Governador encastelado pelo desgaste político crescente com a situação que sua própria incompetência criou) a “tropa de elite” invade de maneira atabalhoada o apartamento. A ex-namorada morre, a amiga toma um tiro no rosto. Mas o jovem, sai ileso. E agora, três anos depois aguarda o julgamento. Terá que ser protegido na prisão. Cela especial, única.

Entre a ficção e a realidade, no Brasil, o país aonde não há machismo nem preconceito, não é um lugar perigoso para se viver.

Bem, exceto se você for mulher.

 

O começo do fim dos livros de papel

Que os livros de papel estão com os dias contados isso é dado. Sempre haverá um nostálgico aqui e ali que ainda vai ter pilhas deles, “saboreando” sua textura, a coloração da tinta nas pontas dos dedos, o seu cheiro de mofo e as alergias que o acumulo de ácaro e poeira trazem.

Mas assim que todos tiverem acesso a um tablet e um scanner de página dupla, será natural, como é pra mim, cortar seu velho livro, scannear e trocar aquele peso morto por um arquivo na nuvem.

Falando nisso, o próprio .pdf (como se encontra) está com os dias contados. É proprietário e rígido demais. Minhas apostas são, do lado proprietário, sempre ela com seu modelo verticalizado e eficiente, Apple com iBook Author exportando para um formato fechado e do lado aberto, com o Android e derivados (o que inclui os Kindle, Nook e similares) o HTML5 combinado com o ePub3, mas não sei se essa solução vai ter tanto suporte das editoras e desenvolvedores.

De qualquer forma, fica a dica para o MEC, ao invés de comprar milhões de computadores e livros pela FNDE e o PNLD (e por tabela cofinanciar essa mídia decadente e golpista), é melhor apostar logo em tablets e nos livros digitais que já começaram a fazer um grande estrago nessa multibilionária industria.

Para os saudosistas, sempre haverá um uso pra um velho livro de papel, como o da foto acima, ou em último caso, de peso para porta.

Sem lágrimas, por favor. Pra mim, já vão tarde.

O cerco ao Irã

Os ventos do oriente tem odor de pólvora. Está em todos os jornais: “O Irã ameaça fechar o estreito de Ormuz“. Ahmadinejad (e os Aiatolás, não se esqueçam) querem destruir a (cambaleante) economia global atrapalhando o fluxo do petróleo em um dos seus pontos nevrálgicos. Certo?

De certa maneira, me importa menos o que ocorre no Oriente Médio, e mais o como o Brasil se posiciona do ponto de vista estratégico. Antigamente, achava que o OM iria se autodestruir por questões religiosas. Hoje, tenho certeza que um dia eles vão se destruir, mas só porque lá é muito quente e tem pouca água. E tem muito petróleo, mas isso é detalhe.

Bem, isso, é o que a nossa (decrépita) mídia tenta passar. O que me incomoda no momento é como nossa mídia é incapaz de informar. Até onde sei, enquanto acreditamos que os iranianos são os vilões e querem uma bomba nuclear pra fazer um buraco aonde fica Israel, os chineses (esses sim, tem uma agenda medida em séculos e não décadas, como os americanos, ou carnavais, como os brasileiros) nadam de braçada com uma diplomacia inovadora e agressiva. Até aonde vão? Façam suas apostas.

Não se vê uma única linha dizendo que o que as potências ocidentais querem é o petróleo. É sabido desde o principio que os EUA não aceitariam um desbalanceamento de forças na região. Logo agora, enquanto ainda somos tão dependentes de combustíveis fosseis quanto um viciado é por cocaína. Não enquanto existe a possibilidade das reservas de petróleo terem atingido o seu pico.

O programa nuclear iraniano não seria a desculpa ideal pra resolver de vez o problema? Depois do Iraque e Afeganistão (e Palestina), as potenciais ocidentais vão fazer com o Irã o que todo Império faz quando um inimigo ousa desafiá-los: subjugar, conquistar e dominar.

Mas, obviamente, até os grãos de areia fumegantes do deserto de Dasht-e-Lut sabem que o Irã não é o Iraque. Não é só isolar, esperar alguns anos e invadir. Então, no manual “Guerra para Iniciantes”, o segundo capítulo é: “Como cercar o seu inimigo e enfraquecer suas defesas.

Basta lembrar dos romanos, ou se não quisermos ir tão longe na história, lembrar que a guerra no Iraque só foi (tão) fácil por que após anos de bloqueio os tanques e aviões do Saddam estavam sucateados. Hoje a única coisa que mudou é o tipo de cerco é econômico-financeiro.

A única diferença é que o Irã não vai esperar isso acontecer passivamente. Vão provocar enquanto podem causar algum estrago (ver infográfico). Então, logicamente, haverá guerra. As provocações em Ormuz, são só o começo. E até aonde vi (e o Lula e o Celsão também) não haverá concessão (minimamente soberana) que será aceita pelas grandes potências. Pelo caminhar da carruagem, inevitavelmente haverá guerra.

Não é uma questão de ser a favor ou contra iranianos, americanos ou judeus. Não é sobre acreditar, como tolos e misses acéfalas, na Paz Mundial. O que me tira o sono, é que o Brasil, esse gigante adormecido, a potência que ainda não foi, não estar discutindo estratégias.

Quando digo estratégia, isso significa uma visão que pense na nossa capacidade de construir estradas, de fazer aviões e navios, de conseguir produzir, armazenar e distribuir etanol em grande escala, de tirar mais petróleo do pré-sal mais rapidamente, enfim, de inovar em todos setores. Você deve fazer isso em situação normal, mas você terá que fazer isso num momento de turbulência geopolítica como o que se aproxima.

Não falo de ilusões, nem de subitamente sermos capazes de decidir uma guerra do outro lado do mundo. Só gostaria de ser mais otimista com a possibilidade de estarmos preparados para nos posicionarmos melhor após um conflito dessa magnitude. Afinal, não no pós-guerra que nascem as novas potências?