Entrevista Marcos Nobre à Epoca

Brasil – NOTÍCIAS – Marcos Nobre: “Temer, hoje, é o líder da oposição”

23/08/2011 – 12:01 – Atualizado em 23/08/2011 – 12:18
Continue lendo

Dúvidas sobre a estratégia política do Governo Dilma

-

“O video ficou descontextualizado, melhor um bumerangue pra demonstrar meu temor.”

Tenho tentado escrever sobre a estratégia política do Governo Dilma desde os seus 100 dias. Confesso que não está fácil. Tenho mais dúvidas que respostas. Diferentemente de outros momentos, simplesmente não sei o que dizer. Antes tudo era mais fácil. Qualquer bobagem servia, se encaixava. Afinal, políticos são eram previsíveis.

Hoje tudo está nublado, não enxergo uma linha definida. A verdade é que é muito difícil pra qualquer pessoa dizer “eu não sei”. Isso é assumir publicamente a falta de conhecimento. No mínimo aceitar uma incapacidade dedutiva inadmissível numa época em que nós afogamos sob um dilúvio incessante de informações.

Mas talvez eu esteja apenas constrangido, envergonhado. Vergonha alheia, melhor dizendo. Pois, por ai, só se lê  certezas absolutas, verdades inabaláveis. Tudo ou é um desastre completo, ou é de uma virtú impecável. Oito ou oitenta, o maniqueísmo eleitoral – às vezes necessário, aceitável – atingiu a completude, e tomou conta de toda a política.

Nos clippings-blogs e artigos da velha mídia é certeza que o Governo Dilma acabará. Que o desastre é inevitável. Que ela é arrogante, grosseira, tosca, e  tratando assim os (sensíveis) políticos irá inevitavelmente destruir a “governabilidade”. E que já “circula em Brasília”, que ela pode não concluir o mandato.

Nos blogs governistas/progressistas o que se lê é que é o estado-da-arte da política. Uma estratégia perfeita. Bem executada, uma limpeza, uma faxina ética. Decisões inequívocas na área econômica. Uma revolução na política. E que essa assepsia renderá incontáveis votos junto à classe média. Novos tempos. Uma recuperação dos valores éticos pela esquerda através de uma estratégia magistral para se defender do julgamento do Mensalão que virá pelas mãos vingadoras do Joaquim Barbosa.

Pode ser. No momento realmente não há nada ameaçando a governabilidade. Ou alguém aqui imagina o PR no purgatório, longe das benesses do poder por longos 3 anos e meio? Ou o PP? Ou o PMDB? Até aonde vi, os sinais mais claros é de novas adesões, seja com o PV (pós-Marina), seja com o PSD (do Kassab e cia).

Mas política é bumerangue. Quantas vezes já vimos políticos no Congresso colocando a fatura na mesa do presidente? Seja com Lula, seja com FHC. Sei que ela é diferente. Sei que foi surpresa pra muitos, inclusive pra mim. Não tem a ver com a corrupção em si. Tem a ver com o aprendizado que uma campanha eleitoral traz. Tem a ver com deixar de ser técnica e se tornar uma grande política. De certa forma me irrita essa adesão à ideia de satanização da política.

Eu estou com Lula nessa (ah vá…), se a presidenta não permitir que a Gleisi seja a Dilma da Dilma, não haverá politização das ações. E 2012 pode mostrar isso. Gestão não politiza, por mais que os tecnocratas insistam nesse ponto. Um governante não pode terceirizar a política sob o risco de uma alienação perigosa. Ela deveria transpor os conceitos que está usando na economia. Nenhum presidente é uma ilha. Ignorar o Congresso eleito, voltar a fazer o jogo da mídia de escandalizar seletivamente o “nada”, confiar numa oposição acuada e decadente, são decisões perigosas.

Enfim, não sei se vai dar certo. Torço que dê. Mas sou cético por natureza. A principal lição que aprendi nos últimos anos é que os políticos são traiçoeiros, a velha mídia  brasileira tende ao golpismo por natureza e a classe média, continua extremamente volúvel.

“Só sei que nada sei”, mas tenho certeza que não gosto dessa combinação.

Powered by ScribeFire.

Artigo :: “Para entender o silêncio de Dilma”

-

“O silêncio vale ouro. Para todos os outros casos, existe silver tape

Uma das novas determinações deste blog é reduzir drasticamente a citação seja integral, seja parcial de artigos de terceiros. É o efeito “clippinização dos blogs“, que tanto critico. Pra isso tem o Noblat e o Nassif (desculpem, não resisti, mas prometo que vou parar por aqui).

O artigo faz um bom apanhado e tem links, então serve de referência. Mas tem uma conclusão simplista de algo que acredito ser mais complexo do que o mero combate a inflação.

Não sei se é estratégia, ou se é estilo. Sei que esse excesso de discrição (pode isso, Arnaldo?) não combina com política. Bem, não combinava. Vamos ver daqui pra frente. E pra radicalizar de vez, o resto do Governo simplesmente emula o comportamento de sua líder.

Eu continuo a acompanhar – curioso que sou – o desenrolar dessa maneira inovadora de se fazer política. Torcendo – cético que sou – pra dar tudo certo no final.

Dilma Rousseff completa 200 dias no Planalto envolta no mesmo silêncio que caracterizou seu governo até agora.  Nenhum pronunciamento contundente, nenhuma entrevista franca, nenhuma frase de efeito para marcar a data. Tal qual aconteceu nos 100 dias, ou mesmo nas viagens e crises deste início de mandato, a presidenta faz das suas poucas palavras, em solenidades e aparições públicas, um não-evento.

Como não está afônica, o silêncio de Dilma poderia ser timidez, mas isso a campanha eleitoral do ano passado já desmentiu. Também poderia ser simplesmente por ela não gostar de falar, mas quem já foi recebido em audiência sabe que Dilma valoriza a dialética e adora um bom debate. Também não existe a possibilidade, dada à natureza do cargo, de que tamanho resguardo seria por não ter o que dizer.

Fica evidente, portanto, que a presidenta não deseja tornar públicos seus pensamentos. Dilma pouco fala porque a sinceridade, agora, não ajudaria no bom andamento dos trabalhos. Ao contrário de seus dois antecessores imediatos, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da
Silva, cuja eloqüência pública ajudava-os a minimizar crises, Dilma resta em silêncio para não alimentá-las.

Seu maior foco de problemas é a relação com o Congresso. Premida pela necessidade de um esforço fiscal para evitar a disparada da inflação, a presidenta cortou o orçamento onde dava para cortar. Por crença e por coerência política, ela não iria, nem irá, reduzir o tamanho do Estado, privatizando e promovendo uma reforma administrativa. Por imposição do calendário, ela não tem como cortar recursos para as obras da Copa do Mundo de 2014 e nem é razoável sucatear ainda mais a infra-estrutura de um país ainda carente de obras que mal saíram do papel. Politicamente, o governo já aumentou os impostos possíveis, como o IOF sobre gastos em dólar no cartão de crédito.

Restou a Dilma abrandar o aumento real do salário mínimo, o que contrariou o populismo da base governista. E também segurar a bilionária verba das emendas parlamentares, abrindo o flanco para as mais explícitas chantagens políticas desde as concessões do governo José Sarney para obter o quinto ano de mandato na Constituinte de 1988.

Logo após a vitória na eleição, ela anunciou em conversas com os políticos que preservaria a coalizão e aceitaria indicações dos partidos aos cargos do novo governo, desde que os indicados tivessem qualificação técnica e boa reputação. Os partidos foram avisados que quem não seguisse a cartilha não obteria a nomeação. E que em casos de desvio posterior, políticos e apadrinhados teriam de se explicar à Polícia Federal e à Justiça. Foram os partidos, portanto, que decidiram testar Dilma e não a presidenta que quis se impor a eles.

Em duas ocasiões fundamentais, o PT reacendeu a chama das disputas internas e reivindicou independência do Planalto (coisa que nunca fez contra Lula porque trabalhou sob Lula): a escolha do presidente da Câmara dos Deputados e a eleição do novo presidente do partido. Os líderes tradicionais do PMDB excluíram das negociações com o governo alguns colegas recém-eleitos e que Dilma gostaria de ter como interlocutores seus dentro do partido aliado.

Essa política de muito apetite e pouca renovação foi uma aposta de todos os aliados do governo, quando a presidenta tinha sinalizado para que fizessem justamente o contrário. Se Dilma não os atendeu é porque eles não souberam ouvi-la ou não quiseram acreditar na presidenta. Se ela manifestar isso publicamente, criará ainda mais problemas.

O silêncio de Dilma é forçoso também na mudança de viés econômico. Se Lula teve condições de adotar medidas clássicas de elevação dos juros e corte de despesas públicas e responsabilizar a “herança maldita”, Dilma não pode creditar o ajuste de agora a eventuais excessos da política anticíclica do governo anterior. Os fatores inflacionários não estão ligados apenas ao aquecimento da economia no ano eleitoral de 2010 e o que resta à presidenta nesse primeiro momento é usar um mal menor, como a sobrevalorização do real, para combater um mal maior, a
escalada inflacionária.

Depois de uma campanha presidencial que demonizou a privatização, o silêncio é bom conselheiro para um governo que vai realizar concessões privadas para expansão dos aeroportos e que aguarda capital privado para tocar o projeto de trem-bala, além de várias parcerias público-privadas para as obras que vão preparar o Brasil para receber a Copa do Mundo em 2014.

O país precisa de todos os capitais possíveis, estatal e privado, nacional e estrangeiro, para desafogar o gargalo da infra-estrutura e melhorar a competitividade da sua economia. Diante da queda de braço que os políticos decidiram travar com o governo, mesmo algo facilmente consensual, como esse esforço coletivo para melhorar estradas, portos e aeroportos, parece se tornar objeto de chantagem política. Nessas condições, enfrentar publicamente a classe política corresponde a retardar a agenda de modernização que Dilma deseja fazer no seu governo.

Ceder aos políticos, no entanto, é comprometer a força da política de combate à inflação. Esse é o impasse que silencia a presidenta.

Powered by ScribeFire.

Das coisas que odeio na Dilma. E uma que adoro.

-

Direto ao ponto, aquilo que odeio no Governo Dilma até o momento:
  • Cultura – Odeio muito como ela entregou o Ministério da Cultura a um grupo de insonsos, que não entendem nem de cultura digital, nem de política. Pra mim um desastre. Romperam com o legado de Gil e do Juca – que na verdade, pra mim, foi um avanço milimétrico – pra satisfazer um bando de lobistas anacrônicos que defendem os interesses de velhos compositores (jovens podem ser decrépitos também, não se esqueçam disso) e gravadoras de “discos”. E o pior, sem receber nada, nada em troca. Bem, talvez sair de um lista “negra” dos EUA, que hoje não vale nada.
  • Comunicação – Não é uma critica personalista, mas a SECOM mimetiza em excesso as ações da presidenta. Discrição? Não cabe mais, desde o momento em que a oposição e a mídia partiram para o ataque coordenado à Petrobras. Naquele momento, descobrimos como lidar com a indústria dos factoides: com agilidade, com respostas públicas, com integras de áudio e texto das entrevistas. O Franklin sabia que não poderia agir como Lula. A Helena Chagas deveria aprender, que não pode agir como Dilma. A função da SECOM é preparar uma estrutura, não para momento de “noivado” com a Velha Mídia, e sim para quando, o inevitável divorcio acontecer.
  • PNBL – Não é que eu discorde da visão que é o Mercado quem irá prover a expansão e massificação do acesso à internet de alta velocidade. Acho que isso é inquestionável. O que eu acho é que da forma como foi feita, o governo vai enterrar um grande projeto que o Rogério Santanna passou meio governo construindo. Apesar dos custos de se fazer algo dessa magnitude, deveríamos ter tentado de uma maneira mais obstinada criar uma grande estrutura nacional independente das operadoras. Se o Orçamento no momento, não permitia, pelo menos manter o projeto em paralelo, como opção, como ferramenta de barganha. O que eu vi foi um grande acordo com uma operadora (outras, inevitavelmente virão). Algo que poderia ser feito de qualquer forma, fora do PNBL.

Agora das coisas que estou adorando:

  • A mídia descobrindo que a Dilma não é Lula – O modus no Código Florestal, no caso Palocci, e agora de maneira mais radical, no caso do DNIT, é de partir para o confronto com esse sistema político viciado. Vai sobrar pra muita gente, não só pro PR, mas pro PT também. A Velha Mídia decadente vai adorar, pois vai vender meia dúzia de jornais e revistas a mais, enquanto a oposição, com programas à la PPS vem com a ladainha hipócrita sobre ética, que comprovadamente, não funciona mais.

Lutar contra esse sistema, é só pra quem tem coragem. Ninguém nunca tentou, então, eu tenho minhas dúvidas que vai dar certo. Mas pelo menos fico feliz que algo que tentamos explicar nas eleições, finalmente esteja chegando às colunas dos jornais e revistas.

Afinal, a dama lá não tem nada de poste, muito pelo contrário.

O poste, paradoxalmente, se move

-


Meu mundo pra saber a opinião do Villa (é brincadeirinha, não postem links sujos no meu blog).

Do Torto, Dilma já governa o país — Portal ClippingMP

Política

Autor(es): Rosângela Bittar
Valor Econômico – 08/12/2010

Com gestos estudados e cuidado para não projetar a mínima sombra sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente eleita Dilma Vana Rousseff já governa o Brasil. Suas marcas surgem, naturalmente, sem imposições óbvias. Estão embutidas no discurso de um ministro, no anúncio de uma medida, no espaço concedido a um partido, na decisão de comum acordo com o dirigente ainda no cargo.

Com suavidade, Dilma deu um piparote no complexo – e alvo de múltiplo lobby internacional – caso da licitação dos caças para a Aeronáutica. Por dez anos esse negócio de U$ 15 bilhões foi passando de um presidente a outro, dividindo opiniões técnicas e opções políticas, sem solução.

As empresas interessadas – francesa, sueca e americana – que disputaram a venda dos equipamentos lotearam o governo para convencer e tentar vencer a disputa pela venda de tão dispendioso produto. O presidente Lula, amigos seus, como o prefeito Luiz Marinho, os brigadeiros da força aérea, todos foram alvos do ataque comercial numa negociação de desfecho sempre adiado. O tema, considerado delicado, seria resolvido por Lula para não deixar herança maldita a Dilma. Esta semana, a presidente eleita, ao confirmar o convite ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, para permanecer no cargo, deu o desfecho: a compra dos caças foi postergada e o assunto passa por mais um governo sem conclusão.

Esta não foi a primeira despesa controvertida cancelada pela presidente eleita à última hora. Também o trem-bala, projeto de R$ 33 bilhões, criticado técnicamente por inúmeros especialistas que emitiram pareceres contra, aos quais o governo Lula se mostrava surdo, está praticamente suspenso.

São gastos polêmicos de cuja desnecessidade Dilma Rousseff se deu conta e toma providências, discretamente, para suspender. A entrevista fiscalista que o ex-gastador ministro da Fazenda, Guido Mantega, concedeu esta semana, não é, claro, de sua lavra, pois anunciou cortes de verbas generalizados, que deverão atingir duas frentes sempre preservadas: aumento salarial de servidores e obras.

Em entrevista ao jornal americano Washington Post, Dilma deixou mais sinais de sua política externa do que em qualquer pronunciamento ao longo da campanha eleitoral. Primeiro, pelas declarações públicas e inequívocas sobre seu desacordo com a política externa em vigor, do governo Lula, em questões de fundamental importância, como os direitos humanos. Dilma condenou a abstenção do Brasil na votação de resolução da ONU contra abusos praticados pelo Irã.

Depois, pelo fato de ter escolhido um único jornal para dar sua primeira entrevista exclusiva após eleita, e este ter sido exatamente dos Estados Unidos, país que se recusou a visitar antes da posse, emitindo um sinal dúbio, mas em seguida marcou viagem para o início de janeiro. Sua postura, provou, não é de alinhamento automático com o antiamericanismo da atual política externa.

Dilma já está no comando, também, quando nomeia um Ministério à imagem e semelhança do presidente Lula, com a recondução até injustificada de alguns nomes impostos para preservar posições do presidente que deixará o cargo, mas faz intervenções de grande significado. Como, por exemplo, o controle que demonstra ter sobre o PMDB. Dilma entregou lotes do governo aos partidos mas deixou o PMDB, de onde saiu seu vice, menor do que o partido imagina ser.

A expectativa do partido era enorme tendo em vista a parceria de primeira hora. O PMDB tinha, no governo Lula, seis cargos de ministros, bons de verba, poder e produção de voto, entre eles os da Integração Nacional e das Comunicações, por exemplo. E a divisão estava equilibrada entre as bancadas do Senado e da Câmara. Sai da composição para o novo governo Dilma desbalanceado. O senador José Sarney é dono de um ministro do Senado, Edison Lobão (Minas e Energia), e um da Câmara, deputado Pedro Novaes (Turismo). Tomou, sem reação, uma das vagas que não eram do seu lote. Moreira Franco, que o vice-presidente eleito e presidente do PMDB, Michel Temer, queria em um vistoso cargo, deve acabar aceitando a Secretaria de Assuntos Estratégicos, um posto de consolação sem poder para nada. Para quem deixou uma diretoria da Caixa Econômica Federal no governo Lula para coordenar o programa de governo da chapa vitoriosa PT-PMDB, é uma humilhação.

Como a presidente eleita conseguiu a proeza de reduzir o PMDB é algo que já merece considerações nos debates sobre a iniciação de Dilma. Avalia quem entende de seus procedimentos que a presidente percebeu o tamanho real do PMDB, menor do que imaginava ser. Ou melhor, sempre blefou que era maior. Continua dividido, uma confederação de interesses. Pode ser forte ainda na micro-política, na disputa caso a caso, especialmente no Parlamento, mas na política maior ainda não se comporta como um partido.

Os que têm estado com Dilma a descrevem numa excelente fase: discreta, fechada em casa mas conduzindo com calma as decisões, uma pessoa que tirou um peso dos ombros com o fim da campanha eleitoral. Trocou algo que não sabia fazer, a campanha, por uma atividade que acha que sabe fazer. Está segura.

Ao contrário de Lula, que encontrou todos os cargos vazios, Dilma encontrou o governo ocupado, todos querem ficar, por isso sua capacidade de nomeações é limitada. Mas não se perde por esperar, diz-se dela: está montando um Ministério Lula-Dilma para transformá-lo lentamente em um Ministério Dilma.

(…)

Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras

Tradução da entrevista de Dilma Rousseff ao Washington Post

-

“Ei, @dilmabr #KeepWalking”

Estava prestes a publicar a original em inglês quando descobri que o Idelber Avelar e cia (Paula Marcondes e Josi Paz) fizeram a tradução. Na mesma leva, também descobri que o povo da “Vila Vudu” (que sempre me manda as traduções dos artigos do Pepe Escobar, tem uma conta no twitter, recomendo fortemente)

Então se alguém ainda não viu lá. Segue abaixo.

O Biscoito Fino e a Massa : Entrevista de Dilma Rousseff ao Washington Post
segunda-feira, 06 de dezembro 2010

Entrevista de Dilma Rousseff ao Washington Post

No Brasil, de prisioneira a Presidente
Por Lally Weymouth

Tradução de Paula Marcondes e Josi Paz, revisão de Idelber Avelar.

Ter sido uma presa política lhe dá mais empatia com outros presos políticos?
Sem dúvida. Por ter experimentado a condição de presa política, tenho um compromisso histórico com todos aqueles que foram ou são prisioneiros somente por expressarem suas visões, sua opinião pública, suas próprias opiniões.

Então, isso afetará sua política em relação ao Irã, por exemplo? Por que o Brasil apóia um país que permite o apedrejamento de pessoas, que prende jornalistas?

Acredito que é necessário fazermos uma diferenciação no [que queremos dizer quando nos referimos ao Irã]. Eu considero [importante] a estratégia de construir a paz no Oriente Médio. O que vemos no Oriente Médio é a falência de uma política – de uma política de guerra. Estamos falando do Afeganistão e do desastre que foi a invasão ao Iraque. Não conseguimos construir a paz, nem resolver os problemas do Iraque. Hoje, o Iraque está em guerra civil. Todos os dias, morrem soldados dos dois lados. Tentar trazer a paz e não entrar em guerra é o melhor caminho.

[Mas] eu não endosso o apedrejamento. Eu não concordo com práticas que possuem características medievais [quando se trata de] mulheres. Não há nuances; não faço concessões nesse assunto.

O Brasil se absteve em votar na recente resolução sobre os direitos humanos na ONU .
Eu não sou Presidente do Brasil [hoje], mas eu me sentiria desconfortável, como mulher eleita Presidente, não dizendo nada contra o apedrejamento. Minha posição não vai mudar quando eu assumir o cargo. Eu não concordo com a forma em que o Brasil votou. Não é minha posição.

Muitos norte-americanos sentiram empatia pelo povo iraquiano que se rebelou nas ruas. Por isso me pergunto se sua posição sobre o Irã seria diferente daquela do seu atual Presidente, que possui boa relação com o regime iraquiano.
O Presidente Lula tem seu próprio histórico. Ele é um presidente que defendeu os direitos humanos, um presidente que sempre apoiou a construção da paz.

Continue lendo

Folha, (continua) sem medo do ridiculo.

-

“#NãoTemPreço: Ver a #FalhaSP passando recibo do momento: “Ai que ódio!”"

Obrigado, Dilma. Já valeu o voto. Quer um conselho: #KeepWalking.

via “O Esquerdopata

Jobim e o batismo de fogo de Dilma

-

“Situação Insustentável? Veremos.”

Como até as pedras do Planalto estão sabendo no momento – os arquivos foram liberados hoje, e pelo visto tem muita coisa ainda a surgir – a chapa esquentou para o (ex?) Ministro da Defesa Nelson Jobim. A liberação dos telegramas da embaixada dos EUA no Brasil, com o resumo da sua visita é devastador.

Fogo amigo do PT fica parecendo brincadeira de criança. E vêm exatamente após surgir na mídia notícias que a sua permanência no governo estava “praticamente” acertada com a presidente Dilma, a pedido de Lula. Estava. O pior não foi a avaliação do anti-americanismo, mas ter revelado informações de Estado, que lhe foram confiadas pelo Presidente da República.

Ele pode ser a primeira grande baixa desde que o pessoal do @WikiLeaks liberou as informações. Aliás os EUA estão numa situação crítica, essas informações vão revolucionar alterar significativamente as relações exteriores. Nada será como antes. Eu acompanho o WikiLeaks desde faz tempo, e infelizmente, nossa mídia está completamente despreparada para o que esses caras estão fazendo. No momento estão correndo atrás.

De qualquer forma, para nós, a grande questão é como a Dilma vai reagir ao primeiro grande problema sobre a sua mesa. Muitos torcem para a saída do Jobim. Eu também não gostei da atuação dele na Satiagraha (ajudando a tirar o Paulo Lacerda), mas sinceramente tenho muitas dúvidas se encontraremos algum civil para o Ministério da Defesa que consiga “enquadrar” – não é o termo correto, eu sei – as Forças Armadas e continuar conduzindo as mudanças institucionais e a reestruturação material delas. Mas eu já disse que sou um pragmático? Então.

Temo ainda mais pelo F-X2. E tenho mais ressalva de quem afirma que a sua saída não causará mais atrasos nesse processo. Lembrem-se, o Lula bancou seu nome ao aconselhar a Dilma, não foi porque gosta dele como pessoa, mas porque é um monstro político e sabe o quanto sofreu nessa área. Pelo menos no caso da Marinha o processo está bem encaminhado, e meio que imune a mudanças no Ministério da Defesa.

Mas e agora? A situação do Jobim se tornou – não existe outro termo – insustentável. Imaginem a situação constrangedora numa reunião de cúpula na Unasul, por exemplo. Ou, de que adiantou aquele duríssimo discurso na UE (Portugal) contra a proposta americana (New Strategic Concept) de usar a OTAN para supervisionar o Atlântico Central (eufemismo pra dizer Atlântico Sul)? Aquilo se dissolveu no ar, pois foram palavras públicas, isso que estamos lendo, é o jogo concreto, pesado, que é feito nas entranhas do poder.

O caminho natural seria o pedido de demissão. Mas ele sempre foi um puta jogador (político) gostem ou não, principalmente no ataque, de maneira silenciosa. Como disse, vamos ver como joga sob o fogo da “artilharia de saturação” sobre sua cabeça. Quem sabe ele não consegue resistir? Eu, no momento, duvido.

Mas é preciso ressaltar: longa vida ao @Wikileaks. O #CableGate é a prova da frase do juiz da Suprema Corte Americana Louis Brandel: “A luz do sol é o melhor dos desinfetantes”. A política externa dos EUA está nua, e não é uma cena bonita de se ver.”

WikiLeaks :: Cable Viewer

Viewing cable 08BRASILIA351, SCENESETTER FOR THE VISIT OF MINISTER OF DEFENSE

Continue lendo

O blocão do jogo graúdo

-

“alguém arrisca o que realmente estava passando na cabeça de cada um desses personagens nesse momento histórico?”

É a economia – como sempre -, estúpido! Enquanto os colunistas da velha mídia se digladiam com o blocão-dos-que-foram-sem-nunca-terem-ido, o bloco-da-gente-graúda pôs a bola no chão e começou a jogar. E olhem que a Dilma sequer tomou posse. Não adianta espernear, é do jogo, é assim que o jogo é jogado. Mas nada é por acaso, essas coisas se decidem agora, porque que quando o trem passa, já passou (ein?).

Pra quem não entendeu eu estou falando das definições sobre o Ministro da Fazenda e do (Ministro) Presidente do BCB. No primeiro caso a Presidenta nem deu tempo pros adversários se tocarem na bola. Foi um gol relâmpago. Que Palocci que nada. Anotem ai, essa fórmula agora vai virar regra: sempre um Ministro da Fazenda que não goste de holofotes, que não tenha pretensões políticas, que seja silencioso e eficaz (ou seria efetivo?). Estilo matador de aluguel, esse é Guido Mantega. Talvez por isso seja tão odiado. O cara que lentamente dobrou a Fazenda para um desenvolvimentismo de resultados. Mudou todos os cargos e posições, sem cometer erros (ups, esqueceram de mim). Mas não importa, quem nunca errou numa indicação para a Receita Federal do Brasil que atire o primeiro dossiê. E mais, se é pra cometer maldades, temos no governo um keynesiano um pouco ortodoxo que tem plena consciência do que deve ser feito e, – bônus time – com “muito menos ruído”.

Resolvida a questão da Fazenda, sobrou a carne de pescoço, o foco é o BCB (Banco Central do Brasil, por favor, chamem a criança pelo nome de registro). Sinceramente não sei se o Lula realmente disse para a Dilma manter o Meirelles. Não confio na mídia, mas tudo indica que o vazamento é verdadeiro. Se ele disse isso, foi um erro terrível, do tipo que só o Lula comete. Ele criou o espaço para a situação que temos no momento, recapitulemos: 1) Lula diz para Dilma manter Meirelles e Mantega, mesmo que só no começo; 2) Mantega aceita de pronto, mas o Meirelles, diz que só aceita com “autonomia” e sem “prazo pra sair”. Resultado: sinuca de bico.

Mas é ai que as coisas mudam de figura. Oras, a Dilma já disse que, em última instância, não serão pessoas que comandarão (a política econômica), será ela a responsável. Quando ela disse isso ela tinha plena consciência que estava assumindo integralmente a responsabilidade seja do bônus, seja do ônus. Mas não é assim que as coisas funcionam no presidencialismo? Não! O Lula por exemplo, sempre manteve o BCB como um ente que “orbita” o político. As maldades e os juros altos eram culpa do Meirelles. A consolidação da estabilização? Responsabilidade do Lula. A Dilma, aparentemente, não quer jogar esse jogo. Até porque tem uma visão de longo prazo que o Lula não tem. Sabe que precisa estabelecer uma coordenação entre o BCB e a Fazenda. E não amanhã, precisa disso agora.

Assim, o cenário ficou complicado. Mas se não dá conta, não desce pro play. É o jogo graúdo que estava falando. Agora o todo-poderoso – mercado – quer saber o que ela vai fazer. Eu acredito que ela sabe que não pode ceder agora, porque seria o começo do fim. Quando se dá a mão pra esse ser invisível, ele quer o resto, do pé à cabeça. Ela sabe que precisa impor um técnico discreto e trazer a responsabilidade final da condução econômica pra si. Coragem ela tem. Mas é preciso ter habilidade política também.

Eu por exemplo sou um dos que deixaria o Meirelles lá por um tempo – mas teria decidido isso antes dessa arapuca ser montada – #safety1st tenho dito. Mas eu sou um covarde, né? Então não conto. E o Lula governou por 8 anos com esse jogo no zero-a-zero, e se deu bem. As vezes não fazer nada é a melhor estratégia.

Enfim, acho que qualquer que seja a decisão, vai empatar o jogo. Mas nunca se esqueçam dos detalhes – o diabo está neles – essa decisão mostrará, na minha visão, uma das grandes diferenças entre a Dilma e o Lula: pra mim ela não entrou nesse jogo pra ficar no zero-a-zero. Ela entrou pra ganhar, e jogando no ataque. Sempre.

Façam suas apostas!