Agora sério, é sempre bom ver esses caras do nordeste conversando sobre política. Ciro, Eduardo Campos, Jacques Wagner, Marcelo Deda.
Pra mim o futuro da política nacional está por lá (e com o Tarso Genro reconstruindo o RS). Mais até que com Aécio, Sérgio Cabral e Beto Richa.
“É preciso fazer acenos à classe média” — Portal ClippingMP
“É preciso fazer acenos à classe média”
Autor(es): Vera Brandimarte, Paulo Totti e Maria Cristina Fernandes | De Olinda
Valor Econômico – 26/11/2010Ele foi o governador mais bem votado do país e comanda o partido que mais cresceu nos últimos anos, ultrapassando até o PMDB em número de governos estaduais. Venceu em todos os municípios do Estado – em mais de metade deles com mais de 90% dos votos. No comando de uma aliança de 15 partidos, tem apenas quatro deputados declaradamente de oposição numa Assembleia Legislativa de 49 cadeiras.
Um dos pilares do governo Luiz Inácio Lula da Silva nas crises políticas do fim do primeiro mandato, o governador reeleito de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), diz que a receita para se blindar a gestão Dilma de turbulências é manter o prumo da economia e acenar para os valores da classe média que se expressaram na votação da candidata derrotada do PV, Marina Silva. São valores, diz, que demandam condução republicana da máquina pública, compromisso com a liberdade de imprensa e meritocracia na gestão do Estado.
Diz que de sua gestão no Palácio do Campo das Princesas aprendeu que os aliados precisam ocupar as Pastas de cima a baixo para poderem ser cobrados no cumprimento de metas definidas não pelos partidos, mas pelo governo. Combate o que chama de preconceito contra as emendas individuais ao Orçamento e diz que seu atendimento é mais importante para a base de governo do que o das chamadas emendas de bancada.
De passagem por Brasília esta semana jantou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na terça-feira e com o deputado federal Antonio Palocci (PT-SP) na quarta-feira. Na próxima semana seu partido encontra a presidente eleita Dilma Rousseff para acertar a participação no governo, que deve ficar em dois ministérios, provavelmente a Integração Nacional e o Turismo.
Acertou com Lula a festa de despedida que lhe fará no Recife no dia 29 de dezembro. Foi num desses encontros que, 16 anos atrás, a relação deles foi estreitada. Seu avô, a quem chama de dr. Arraes, disputava como favorito sua terceira eleição ao governo de Pernambuco, em 1994. Atropelado pelo Real, Lula chegara ao final daquela eleição sem clima para seu comício de encerramento. Foi quando Miguel Arraes o convidou para fazê-lo no pátio do Carmo, centro do Recife. Hoje, na condição de governador mais próximo do presidente, diz que Lula não quer voltar a disputar eleições porque dificilmente será possível deixar o Brasil em condições melhores do que aquela em que o país se encontra agora.
Aos 45 anos, pai de quatro filhos, Campos é casado com a economista Renata, namorada da adolescência com quem mora na mesma casa há 20 anos. A seguir, a entrevista ao Valor, concedida na sexta-feira, num restaurante em Olinda.
Valor: O PSB tinha duas Pastas e uma expressão eleitoral mais reduzida. Agora o partido cresceu e ganhou expressão nacional. Como isso vai se refletir no ministério?
Eduardo Campos: Tenho convicção de que Dilma sabe a qualidade da aliança que nós temos com seu projeto porque viu a relação do PSB com o presidente Lula nas horas boas do governo, mas sobretudo nas horas difíceis. Fizemos uma aposta estratégica no êxito do governo e fomos o partido da esquerda brasileira que mais cresceu. Nossa preocupação não é a participação quantitativa, mas qualitativa. Queremos ser ouvidos, participar das decisões, discutir projetos inovadores para a gestão pública que estamos desenvolvendo em Estados e municípios e podem ser aproveitados pelo governo.
Valor: Mas o senhor não recebe pressão do partido para negociar mais espaço no governo?
Campos: Os seis governadores do PSB sabem o quanto é importante ter bons aliados quando se vai formar equipe porque, se a gente transformar a montagem da equipe numa feira livre, não vai ter resultado. Fiquei muito feliz em ver Dilma colocar com todas as letras que vai apostar na gestão, exigir currículo, experiência e padrão de conduta de ministros, secretários executivos e diretores de empresa. A esquerda levou uma bandeira muito importante para a Constituinte, que foi o concurso público. Era uma aposta para acabar com o pistolão. Agora precisamos avançar e garantir a meritocracia também nos postos de gestão do serviço público.
Valor: E como se faz isso com o PMDB?
Campos: Quem tem que responder é Dilma, mas há quadros no PMDB que tiveram gestões consideráveis em prefeituras e governos estaduais. Agora, é preciso construir uma outra relação com os partidos. E não só com o PMDB, mas com o PT também e com todos os partidos da aliança. A regra não pode ser “leva cargo quem grita mais”. A gestão pública tem que ser blindada. Por que um partido quer um fundo de pensão?






