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Contagem Regressiva
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“Começou a contagem regressiva para a campanha do Serra/PSDB, com o apoio da mídia (sempre), acusarem a Dilma de não crer na existência de Deus ou que ela é/foi homossexual ou que ela teve um namorado corrupto. É só uma questão de tempo.”
Humor nas eleições
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“Tom trabalhando para o Aécio.”
“Nerso trabalhando para o Marconi.”
Teoricamente, eu não gosto de humoristas na campanha (entenda @marcelotas, estou falando de humoristas EM campanha, contratados por um partido, o que não é o seu caso né?) mas acho que se tivesse envolvido numa campanha não descartaria. Na pratica a teoria é outra.
Afinal, povo, desde os gregos satirizar políticos é do jogo, e pior, dá audiência. Então não sou eu quem vai mudar essa parada né.
Eu só vejo e rio. Às vezes, choro…
Hélio Schwarstman – Fé na eleição
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“Guerra Santa?”
Mas quem disse que eles se importam com o futuro?
Folha.com – Hélio Schwartsman – Fé na eleição – 05/10/2010
hélio schwartsman05/10/2010 – 14h20
Fé na eleiçãoDeu segundo turno. Isso anima os tucanos, mas não creio que a festa ranfastídea irá durar muito. Se tudo o que já li sobre ciência política e neurociência aplicada a eleições vale alguma coisa, o advento do segundo escrutínio significa apenas que Dilma Rousseff terá de esperar até o fim do mês para comemorar sua assunção à Presidência da República. Para sair derrotada, a candidatura petista precisaria perder eleitores que já conquistara, um fenômeno que até pode ocorrer, mas que é relativamente raro.
Dilma terminou com 47% dos votos válidos. Para atingir a marca dos 50% que a entroniza no Planalto, precisa apenas herdar 1,5 de cada dez simpatizantes de Marina Silva. Colocando de outra forma, Serra precisaria arregimentar algo como 90% dos eleitores do PV para reverter o quadro. Pelas pesquisas das vésperas do primeiro turno, ele de fato incorpora a maioria dos verdes, mas numa proporção inferior à necessária: 50%. Cerca de 30% tendem a migrar para o PT.
Não são, contudo, essas platitudes aritmético-eleitorais que me motivam a escrever a coluna de hoje. A crer no que dizem marqueteiros, pesquisistas e jornalistas, foi a polêmica em torno do aborto que custou a Dilma a vitória no primeiro turno. Insuflados por clérigos que denunciaram o passado pró-abortista da candidata, eleitores religiosos (principalmente evangélicos, mas também católicos) teriam trocado a petista por Marina, genuinamente evangélica e contrária ao aborto desde criancinha. Para não perder a piada, eu diria que votaram na pessoa certa pelas razões erradas. (Recado aos adivinhadores de sufrágio: não, não votei em Marina).
A tese do efeito aborto é verossímil. Infelizmente, é difícil comprová-la porque os dois principais institutos de pesquisa, o Datafolha e o Ibope, na reta final, para reduzir o tempo das entrevistas, deixaram de perguntar aos eleitores a sua fé. O Datafolha excomungou a questão religiosa no final de junho, e o Ibope, em 23 de setembro. Os dados deste último, contudo, chegaram a registrar um esvaziamento de Dilma entre os evangélicos no mês passado.
O fato de o comando petista ter reagido firmemente procurando lideranças religiosas nos últimos dias da campanha e esconjurando a descriminação do aborto de seu programa também é sugestivo de que as sondagens do partido captaram a tendência, deflagrando uma operação de redução de danos.
Se confirmado como um fenômeno de grandes dimensões, seria a primeira vez que a religião se torna uma variável relevante em eleições majoritárias no Brasil. É justamente aí que mora o problema.
Longe de mim sugerir que pastores e padres não têm o direito de convencer seus rebanhos a votar segundo a palavra de Deus, ainda que esta esteja aberta às mais diferentes interpretações, muitas vezes inconciliáveis entre si. A democracia só existe quando as pessoas são livres para dizer o que pensam, mesmo que sejam besteiras ou fantasias delirantes, e o eleitor vota prestando contas apenas à sua consciência. Mas ninguém jamais afirmou que a democracia era a autoestrada para o paraíso. Como celebremente observou o estadista britânico Winston Churchill: ‘Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito. Tem-se dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos’.
O perigo de utilizar uma lógica espiritual para pautar a política é que ela introduz absolutos morais em questões que precisam ser resolvidas de uma perspectiva essencialmente prática, normalmente com recurso a negociações. Em suma, tudo o que não precisamos é trazer para as leis e políticas públicas é a noção de pecado. É claro que existe um equivalente laico do conceito de pecado, que é o crime. A diferença é que, enquanto este último tem uma justificação exclusivamente racional em bases mais ou menos utilitárias e comporta gradações, o primeiro, por ter sido ditado por uma autoridade superior e supostamente incontestável, nos chega na forma de pacotes inegociáveis. De certo modo, pensar religiosamente é negar a política.
A condenação da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani à morte por apedrejamento é um exemplo eloquente do tipo de problema com que estamos lidando. Ao contrário do que muitos possam pensar, atirar pedras em pecadores não é uma crueldade exclusiva do islamismo.‘Se se encontrar um homem dormindo com uma mulher casada, todos os dois deverão morrer: o homem que dormiu com a mulher, e esta da mesma forma. Assim, tirarás o mal do meio de ti; Se uma virgem se tiver casado, e um homem, encontrando-a na cidade, dormir com ela, conduzireis um e outro à porta da cidade e os apedrejareis até que morram: a donzela, porque, estando na cidade, não gritou, e o homem por ter violado a mulher do próximo. Assim, tirarás o mal do meio de ti’. Essas passagens não foram tiradas do nobre Alcorão, mas da sagrada Bíblia judaico-cristã, mais especificamente do Deuteronômio 22:22-24.
Os muçulmanos não inventaram, portanto, o apedrejamento de adúlteros. Na verdade, o Alcorão determina para quem for apanhado cometendo esse delito uma pena bem mais leve, de apenas cem chicotadas. É o “Hadith” –a narrativa dos atos do profeta que, junto com o Alcorão, constitui a base da “sharia”, a lei islâmica– que autoriza, depois das chibatadas, a lapidação.
Detalhes legais à parte, a diferença entre o islã e o Ocidente hoje é que, enquanto este último assistiu ao longo dos últimos três ou quatro séculos a uma progressiva laicização das instituições e mesmo da vida, o primeiro permanece fiel a suas origens e textos religiosos.
Talvez seja excessivo afirmar que o Ocidente se tornou irreligioso, mas é certo que acabou ficando pouco zeloso nessa matéria. Foi essa oportuna avacalhação que fez com que as fogueiras inquisitoriais não voltassem a acender-se e permitiu que a ciência avançasse por terrenos que antes lhe eram vedados. Vale lembrar que, a depender da Igreja Católica, não teríamos nem ao menos desenvolvido a anatomia, a mais básica das disciplinas médicas.A grande maioria dos ocidentais não chegou ao ponto de negar a existência de Deus –e dificilmente chegará–, mas relegou o sagrado a uma espécie de limbo. Um europeu típico –nas Américas a coisa é um pouco mais complicada– diz que acredita em Deus e até vai a um culto cristão de vez em quando, mais por hábito do que por convicção profunda. Lê muito pouco a Bíblia e, felizmente, nem mesmo cogita de implementar as passagens que mandam apedrejar adúlteros –ou assassinar ateus, acrescento de olho em meus próprios interesses.
Não é só. Como procurei mostrar numa matéria que escrevi há pouco para a edição impressa da Folha, existe uma correlação negativa forte entre o grau de religiosidade de um país e seu sucesso econômico. Deus e pobreza andam de braços dados. Quem causa o que é uma questão aberta a interpretações.
É dessa pequena revolução iluminista que teve lugar no Ocidente que o islã se ressente. Lá muito mais do que cá, Estado e religião se confundem e tomam-se ao pé da letra as passagens do livro sagrado que descrevem o sofrimento futuro dos infiéis e as determinações do “Hadith” para que os apóstatas sejam assassinados.
Não estou evidentemente nem chegando perto de sugerir que essa novela em torno do aborto –e a vergonhosa capitulação de partidos que sempre defenderam um Estado laico– nos coloca mais perto de uma teocracia. O próprio desenho institucional do país já veta essa possibilidade. Mas não é sem tristeza que assisto à negação da lógica laicista, que é a melhor coisa que aconteceu ao Ocidente nos últimos 300 anos.Hélio Schwartsman
Hélio Schwartsman, 44 anos, é articulista da Folha. Bacharel em filosofia, publicou “Aquilae Titicans – O Segredo de Avicena – Uma Aventura no Afeganistão” em 2001. Escreve para a Folha.com
É o povo, estúpido!
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As últimas pesquisas mostraram um cenário ainda mais desolador para a oposição. Ok, estou aqui relevando a clara manipulação que ocorreu na pesquisa anterior do Datafolha e considerando o atual avanço simplesmente extraordinário. Mas “ado, ado, cada um no seu quadrado”. Se o Datafolha resolveu gastar o que lhe resta de reputação só para adiar algo que já se mostrava inevitável desde as outras pesquisas, é pq a situação é mais grave do que o mais otimista lulista/dilmista
poderia ter sonhado lá no começo de 2008 qdo o “paranormal” Lula da Silva escolheu a Dilma como sucessora. Seria a intuição a forma mais pura de inteligência? Lula prova que sim.
Essa manipulação e distorção descarada é uma das demonstrações de desespero que vêm surgindo nas oposições. Sabem que não tem mais o controle do momento. No seu cronograma, o jogo sujo da mídia era para ocorrer só lá na frente, qdo a campanha estivesse pegando fogo. Afinal, sempre foi assim. Lula antecipou o jogo, trouxe todo mundo pra arena. No seu tempo. Nesse momento situação ficou cada dia mais grave, e ai a mídia (e orgãos auxiliares) tiveram que sair das sombras. Só não começaram ainda o bombardeio em massa sobre a Dilma. Tudo que vimos até agora são ensaios. As razões disso ainda não consegui descobrir. Pode ser incompetência. Pode ser medo. Pode ser estratégia. Se o ataque não veio agora, vai vir qdo? No horário eleitoral gratuito? É só olhar a previsão de tempo pra cada coligação pra imaginar que isso não vai dar certo.

A outra demonstração de desespero é o ressurgimento do nome do Aécio para vice. Oras, suponhamos que por inocência (é piada isso né? “mineiro” e “inocente” numa mesma frase sobre política) ou por pressão (bem mais provável, considerando o modus operandi do tucanato paulista) que o Aécio aceite ser o vice do Serra. Oras, nesse caso, o Serra já começa o mandato devendo a alma para os mineiros. Não consigo enxergar um cenário pior para o começo de um mandato. Nem o Collor assumindo devendo até o último cabelo da narina à Globo seria pior. Nem o FHHC começando o 2º mandato devendo até a última gota de sangue (se é que ele tem) ao Clinton/FMI seria pior. Então ou os oposicionistas que realimentam essa possibilidade são na verdade os mais profundos aecistas. Ou estão realmente desesperados.
Mas convenhamos, não dá pra jogar tudo nas costas da oposição. O Serra se preparou (há controvérsias) pra esse momento. Mas deu muito azar. Pegou um monstro político que termina seu mandato com aprovação recorde. Entregando um crescimento do PIB de 10%. Reduzindo a desigualdade, criando um mercado consumidor de massa, etc. Enfim, ia começar a citar todos os dados que constroem essa popularidade animalesca do Lula, mas dá até preguiça. É indicador positivo que não acaba mais. Então vou pular essa parte. O governo dele termina voando, só isso. Se alguém chegou de Marte agora, e tem dúvidas, pergunte ao IBGE.

Além disso, a Dilma está explodindo, cada dia mais confiante, cada dia mostrando mais habilidade. Cada dia mais tranquila e desenvolta (se bem que qdo a maré boa é fácil, vamos ver qdo a chapa esquentar mais um pouco). Ela está passando pelas etapas rapidamente, pulverizou qualquer discussão sobre a Política Monetária, pois sabe que a batalha agora é com nos spreads. Aniquilou em uma única sabatina um trabalho de meses do Instituto Millenium para emplacar na mídia a discussão sobre a explosão da divida pública interna, pq era uma falácia. E ao contrário do que a mídia propaga, não tem errado. Oras, como já disse, pra quem precisa ganhar em Minas, visitar o túmulo do Tancredo pode ser tudo, menos um erro. Se tem errado – como todo ser humano – são erros insignificantes. Então tem razão o Marcos Coimbra qdo diz que a oposição torce para que ela erre MUITO.
Pra sermos justos, a grande culpa do Serra é ter confiado demais na mídia. Não parou pra pensar no que oferecer ao país como opção de projeto, não discutiu honestamente as falhas (naturais) do Governo. E agora, a mídia faliu. O recuo da Globo na propaganda deslavada do “45″ foi histórico. Assim como tem sido didáticas as derrotas dominicais do “Fantástico” para o “Pânico”. Mas não os subestimo, estão ai há tanto tempo, possuem o know-how do golpismo, adquiriram uma resiliência invejável e não vão sair de cena assim tão fácil.

Nesse contexto, o povo é que tem sido surpreendente. Estão demonstrando que gostaram da idéia de continuidade. E melhor que isso, o povo parece estar criando uma resistência aos factóides. O conhecimento tácito indica aos eleitores brasileiros – na grande maioria conservadores, essa é a verdade – que a despeito de tudo de ruim que vêem na mídia (e de bom que é ocultado) a cada dia passam a achar que tudo isso tem que continuar. Primeiramente, pq é uma obra – mesmo com falhas – monumental e histórica (mas essa parte só vai constar nos livros futuros). E em segundo lugar, pq não existe até o momento uma opção consistente ao projeto de continuidade que se propõe. Por isso a Dilma cresce de maneira gradativa, mas consistente. O crescimento não é uma expansão súbita. É uma conquista lenta, uma adesão gradativa ao projeto que Lula planejou lá atrás.

Assim os marqueteiros da oposição tem que aceitar a grande verdade dessas eleições. O povo sentiu o gosto de estar no poder, ser ouvido e representado. E hj parece não crer tanto no que estão vendo na mídia. Guiados pela sua intuição estão escolhendo a Dilma como herdeira desse legado histórico.
A solução para a oposição é trocar o povo. Ou partir para o golpe.
DEM/PPS devem atacar a Dilma na suas inserções de junho. Datafolha vai testar antes a “efetividade” da estrategia na próxima pesquisa.
“..agora, o bicho vai pegar…”
Pra bom entendedor um pingo é letra. DEM/PPS/PSDB tem juntos, cerca de 30 min de inserções antes do horário eleitoral gratuito – onde os ataques tem um efeito menor, pois a resposta é imediata, e não necessita da intermediação dos meios de comunicação.
O TSE deu a senha, tirou o corpo fora e disse que é do jogo. A única esperança é o plenário reformar essa decisão. Mas ai tem que saber se o recurso vai ser votado no pleno antes das inserções em junho. Só falta o TSE restringir a campanha negativa SÓ APÓS as inserções.
De qualquer forma, o jogo agora vai ser o Datafolha jogar agua fria na fervura do crescimento da Dilma. Vai estrategicamente, avaliar como quase 2000 brasileiros, reagirão aos terroristas. A colocação das questões na pesquisa tem como objetivo atenuar o crescimento da Dilma. Afinal o eleitor vai pensar duas vezes antes de declarar o voto numa “terrorista”, o que é natural, principalmente se o eleitor não tiver acesso ao contraponto.
“Se ser da esquerda é se preocupar com o próximo, tanto qto me preocupo com os meus. Esquerdista sim. Com orgulho.”
Mas a principal função da pesquisa, ao meu ver, é construir uma base de dados sólida da reação dos eleitores à essa campanha negativa, e ajudar a equipe de marketing a ajustar o “tom” dos ataques. Ironicamente, a FSP fez um estardalhaço por muito menos. Mas era de se esperar.
Por isso, eu simplesmente não compreendo essa êxtase dos dilmistas nos blogs. A campanha não começou. Os ataques até agora, incluindo a “Ficha Falsa da FSP”, foram meros ensaios, a serem monitorados com as qualis (pesquisa qualitativas, entrevista a grupos de eleitores, etc).
A pancadaria começa agora. Nas inserções do DEM/PPS, afinal viraram meros “cães de aluguel”. Tudo autorizado pelo TSE. As inserções do PSDB devem ser usadas pra promover o Serra, e tentar não vincula-lo a esse jogo. O toque final, vai ser a mídia propagando com notinhas, que o Serra é contrário a tal estratégia.
Se eu fosse locutor da vênus platinada, anunciaria, após o fim da novela da oito: “-A seguir, 2010 sangrento.“
G1 – Justiça eleitoral mantém sites do PSDB que atacam Dilma – notícias em Eleições 2010
Justiça eleitoral mantém sites do PSDB que atacam DilmaPT alegou que sites denigrem a imagem da pré-candidata.
Ministro do TSE entendeu que não houve propaganda eleitoral negativa.
O que seria dos golpistas sem aqueles a quem atacam?
“Seria a mídia brasileira, a nossa Al-Qaeda?”
Jornal Correio do Brasil – O que seria dos golpistas sem aqueles a quem atacam?
12/5/2010 17:48:58Por Ana Helena Tavares – do Rio de Janeiro
O que era o jornalismo político na época de FHC? Era a política como jornalismo ou o jornalismo como política? Sei que era chocho, sem graça, recatado. Tímido mesmo. Hoje? Ano eleitoral, com uma ex-guerrilheira na disputa? Ah, a coisa anda bem diferente. Saíram das tocas aos montes.
Eliane Cantanhêde, por exemplo, gravou um vídeo para a Folha toda buliçosa, se achando a tal porque contava ao mundo uma “novidade”: a direita não suporta cheirar o povo. De acordo com a grande revelação, tucanos e demos se aproximam, sim, da massa, quem diria, mas só da “massa cheirosa”. Descobriu a pólvora. É um crânio. Pelo raciocínio apresentado, perfume francês, do tipo que usam os doutores da Sorbonne, é o suprassumo do agradável. Mas há uns bem mal-cheirosos. Tanto que nem seus colegas de partido o admitem ter por perto.
A direita não tem o candidato que gostaria, mas a única opção dos direitistas, que fogem de FHC como o diabo da cruz, é José Serra e é a ele que se agarrarão até a última gota de veneno. E não é preciso ser nenhum crânio para assistir ao veneno sendo destilado em pleno horário nobre. Recentemente, a “Vênus platinada”, apelido mais íntimo do que plim-plim, não se acanhou em veicular mensagem subliminar de apoio a José Serra, em vídeo comemorativo dos seus 45 anos de defesa daquilo que Dr. Roberto chamava de democracia. Mas já lá se vão os tempos do empresário midiático que se julgava no poder de jogar pôquer com a sociedade. Numa incrível demonstração de que sabe que já não consegue manipular como antes, a emissora passou recibo e tirou o vídeo do ar. Mas, a direita não há de se sentir órfão, o Jornal Nacional perde audiência, mas, enquanto tiver a quem atacar, não perderá a pose.
O maior câncer que pode haver para a imprensa é o jornalismo/empresa e o pior mesmo é saber que essa doença já é antiga e já virou metástase. Com uma oposição que só pensa em cheirar seu próprio umbigo, mas nem por isso o lava, e uma grande imprensa que ganhou o pertinente nome de PIG (Partido da Imprensa Golpista, expressão imortalizada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim e criada pelo deputado Fernando Ferro, do PT, em “homenagem” ao jornalista Ali Kamel), fica difícil pensar no Brasil como um país de todos.
Entrevista com a economista Maria da Conceição Tavares

Conceição afirma que a luta política de hoje é a luta por reformas democráticas, que permitam a participação crescente do povo e dos excluídos na condução do seu próprio destino. Ela comenta o atual protagonismo brasileiro nas relações internacionais e cita, inclusive, que da Economist ao Foreign Affairs, o presidente Lula e o ministro das relações exteriores Celso Amorim foram citados como os melhores do mundo em suas áreas de atuação em 2009. Considerando-se heterodoxa, socialista utópica e Cepalina, a economista fala das dificuldades de se fazer uma reforma tributária. Sobre isso, diz que os ricos não querem pagar impostos (e realmente não pagam, quem os paga é a classe média), e comenta que os grandes proprietários de terra também não pagam impostos. E como eles elegem a maior parte do Congresso, a reforma tributária não sai do papel.
Em determinado momento, ela afirma que FHC virou neoliberal e havia privatizado quase tudo, além de falar que o ex-presidente era uma espécie de proconsul do Clinton. Aliás, Conceição confessou que sentia vergonha quando via o ex-presidente FHC discursando em inglês. “Um presidente que se preze discursa em seu próprio idioma. Os outros que traduzam, diz ela”. Também comenta que continua no PT até hoje e afirma que Lula tem uma memória prodigiosa e é “estupidamente inteligente”. Curiosamente, após essa citação, a jornalista muda de assunto e volta a falar sobre a vida acadêmica da economista.
Sobre a crise de 2008, ela crê que o mundo ainda não se recuperou totalmente. Cita, como exemplos, as dificuldades econômicas do Japão, da Alemanha e do México. De certo modo ela prevê que a atual crise será um formato de W, ou seja, o mundo ainda não se recuperaria completamente no curto prazo. Conceição argumenta que se os EUA não controlarem os bancos, haverá outra crise, pois eles tornarão a repetir o erro. “Os bancos estão se sustentando e realizando lucros à custa de governos. O governo americano deu dinheiro aos bancos, mas não cobrou nada em troca”, ela afirma.
Sobre a economia brasileira no período FHC, Conceição comenta que o Brasil herdou uma crise cambial do tamanho de um elefante, tendo ido à falência. Fala que era contra a política econômica ortodoxa do início do governo Lula, porque interrompe o crescimento, como ocorreu em 2004. Mas ela cita que a estratégia do governo Lula foi fazer isso para o Brasil ter mais autonomia frente aos outros países do mundo, pagando as dívidas, e acumulando reservas, como de fato ocorreu. A atual preocupação da economista é a sobrevalorização do Real, o que é ruim tanto para as exportações quanto para as importações (em parte devido à China, que pode engolir o mundo).
Conceição acha que a inserção internacional do Brasil é boa para os próximos anos, e concorda com Darcy Ribeiro, que afirmou que o Brasil será a primeira grande democracia multiracial dos trópicos. No final do programa, ela afirma que é a primeira vez que ela está racionalmente otimista em relação ao Brasil.
Vale a pena assistir ao programa. Segue o link:
FHC e os Anéis Burocráticos
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“Eu tentei achar uma caricatura decente. Só tem tu, vai tu mesmo. Vai reclamar com o Angeli.”
Sobre a entrevista em si, vamos deixar isso pros profissionais, como o NPTO.
Entrevista do FHC no Estadão | Na Prática a Teoria é Outra
Entrevista do FHC no Estadão
Apr 5th, 2010
by NPTO.O FHC escreveu um livro com um título ótimo, “Relembrando o que escrevi”, juntando artigos já publicados. Quando eu conseguir uma cópia, vou resenhar. Nessa de lançar livro, foi fazer um auto-jabá (certíssimo ele) e deu uma entrevista para uns intelectuais, que o Estadão publicou ontem.
Cuidado que a parada sociológica aqui agora vai ficar nervosa.
Sociólogo que é sociólogo começa a falar de qualquer coisa, já pensa em classe social. Eu não sei o quanto a fala do FHC está editada no Estadão, mas é interessante que ele comente no mesmo trecho duas coisas:
Sobre o fim da superficialidade política
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“gigante pela própria natureza…e o teu futuro espelha essa grandeza”
Do ponto de vista estratégico as pesquisas de opinião cumpriram seu papel. Consolidaram a candidatura governista com a Dilma, que como se sabe, partiu do traço pra 1/3 do eleitorado. E, convenhamos, foi mais fácil do que o petista-lulista mais fervoroso – presente no Brasil em 2008, ano em que Lula decidiu avalizar a Dilma – já ousou imaginar.
Tb serviu pra consolidar, do lado da oposição, o nome de José Serra. Não vou debater isso mais, é inútil. Muitos não se cansam de menosprezar o Serra. Oras, façam o raciocínio inverso. Imaginem se em dezembro/2009 o Aécio (ou o Ciro) tivesse chegado a 20% nas intenções de votos? Ele seria o candidato das oposições? Não. É fato, se existe uma virtude a se ressaltar no Serra – dentre poucas, ao meu ver – é a sua resiliência. E não vale falar que os “institutos de pesquisas estão comprados”, pq se estão, isso inviabilizaria até a candidatura governista.
E as pessoas tem que decidir, se aceitam as pesquisas eleitorais como instrumental válido, ou não. Eu aceito. Vejo uma subjetividade desnecessária em alguns aspectos. Falhas metodológicas injustificáveis em outros. Mas espero que o mercado resolva isso. E tudo indica que vai resolver.
E dai? Dai é que isso tudo é passado. A polarização está estabelecida, caminhamos pra um rascunho de bipartidarismo à brasileira – ainda em desenvolvimento, com um polo independente muito mais preponderante que nos EUA, por exemplo. Uma eleição disputada – a meu ver, pela última vez – por personagens pouco carismáticos. Dois partidos, por bem ou por mal, fortes e que vão, após as eleições presidenciais, partir pra uma processo de fusão e incorporação dos partidos pequenos que não apresentarem uma base ideológica mais resistente. Um partido de centro – PMDB – cujo futuro é um incógnita.
Mas e a disputa? Bem o que se desenha é uma disputa tradicional, com baixarias, dossiês, promotores e delegados federais trabalhando para partidos a fim de lucrar algo no final, caixa dois correndo solto (mesmo que a mídia mostre e ressalte só um lado), entre outros temperos já conhecidos. Muitos se perdem nessa guerra fratricida, que é a luta política. Não eu. Estou velho demais.
Corrupção? Corrupção é um mal inexorável, tanto na vida pública, como na privada. As pessoas de bem lutam, é pra criar instituições fortes pra reduzi-la a um índice estatístico, o qto menor possível. Mas muitos brasileiros se perderão nessa avalanche de factóides, num denuncismo sem fim.
Pesquisas? É só um dado útil a marqueteiros. Todos candidatos estarão sujeitos a oscilações naturais do processo eleitoral. Isso guiará a intensificação da campanha em vetores e regiões. Públicos alvos. Regiões alvo. Só isso. Mas no final somos todos meros eleitores.
Dentro da cabine de votação, tudo isso será irrelevante. Lá, o que cada um vai pesar para se decidir é como cada candidato vai melhorar a vida de cada um de nós. Ou no máximo, daquele circulo de pessoas que nos preocupa diretamente. Há anos tem sido assim. Esse ano não será diferente.
Nesse sentido, existe um vazio. Em ambos lados. Não sei muito bem o que os candidatos pensam, explicitamente, sobre o pré-sal, sobre o biodiesel, sobre a sustentabilidade, sobre a educação, sobre a inclusão digital, sobre a reforma agrária em pleno sec. XXI, sobre a inovação, sobre as pequenas empresas, sobre o papel dos grandes grupos econômicos, sobre a crescente oligopolização da economia, sobre a globalização, sobre o liberalismo financeiro, sobre a tortura, sobre a anistia, sobre a mídia, sobre os jovens, sobre os homossexuais e seus direitos, sobre os negros e o seu direito de reparação histórica, sobre o pragmatismo político, sobre as coalizões necessárias ao presidencialismo brasileiro, sobre o financiamento e gestão do SUS, sobre a educação básica, sobre a educação infantil, sobre o ensino superior, sobre o orçamento, sobre a estrategia de defesa nacional, sobre as relações internacionais, sobre a evolução da China, entre muitos outros.
Enfim, sobre o Brasil. Sobre os brasileiros. Sobre o mundo. E nós com isso. Pois o que se diz hoje, na campanha, terá sim, valor no futuro.
Candidatos, o tempo da superficialidade acabou. Estamos esperando.
Pq é com o resultado desse processo, que se constrói uma Nação.